Resenha | Astronauta – Singularidade

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Assim como muita gente que lê quadrinhos no Brasil, meu primeiro contato foi feito através das histórias da Turma da Mônica, de Maurício de Souza. E dentro da vasta gama de personagens nas historinhas da Turma, um deles sempre foi um dos meus favoritos: o Astronauta. Como leitor, não apenas adoro quadrinhos, mas também ficção científica, e isso se deve em parte a esse personagem. Suas aventuras me abriram caminho para quadrinhos de ficção mais elaborados, até chegar ao cânone da literatura SyFy, lendo autores como Clarke, Asimov, Heinlein, Herbert, etc.

E qual não foi minha felicidade ao saber que uma releitura para um público mais adulto do meu adorado personagem seria feita no projeto da tetralogia MSP, junto ainda de outros famosos personagens da casa. (Aliás, se você não conhece, mesmo que não seja fã da Turma, corra atrás. Vale muito a pena!). Em 2012, saiu o primeiro resultado dessa releitura do Astronauta com o álbum Magnetar, pelo selo Graphic MSP. E recentemente, em dezembro de 2014, a sequência de que se trata essa resenha, Singularidade.

O autor, Danilo Beyruth, está crescendo nas graças dos leitores de HQ’s e desponta como um dos bons representantes da recente e ainda tímida, mas significativa, expansão dos quadrinhos brasileiros nos últimos anos. Com traços marcantes e uma narrativa fluida e agradável, o autor mostra uma qualidade a altura de qualquer grande escritor internacional. Para quem ainda não o conhece, além dos títulos supracitados do Astronauta, vale a pena também conferir seu trabalho em Bando de Dois e Necronauta, ambos bastante premiados.

Na trama de Singularidade, encontramos Astronauta lidando com as consequências dos eventos em Magnetar, onde ele passa por um longo isolamento. Isso potencializa a dificuldade do personagem de se socializar e escancara um dos seus traços fundamentais desde a época das HQ’s de Maurício de Souza: sua solidão. Ao ser convocado para investigar um buraco negro in loco, junto a uma psicóloga e um militar de uma nação não-definida, Astronauta precisa lidar com diversos desafios que vão testar os limites de suas capacidades, não apenas como explorador do desconhecido, mas também como ser humano.

Astronauta singularidade

Um dos grandes trunfos de Singularidade, tal como seu antecessor, Magnetar, é a pluralidade da trama. Se você nunca teve contato anterior com o personagem, não tem problema. A história é fechada e bem escrita. Se você busca uma boa aventura, a diversão é garantida. Se você é daqueles que, como eu, são exigentes com ficção científica, pode ir sem medo; a história é embasada em conceitos científicos reais e sua aplicação na história é muito bem dosada, satisfazendo os nerds mais exigentes como eu, mas sem tornar a trama rocambolesca ou arrastada com termos técnicos, agradando também aos leitores casuais que só procuram um bom entretenimento.

Aliás, esses conceitos científicos bem aplicados demonstram o preciosismo do autor na criação da trama. Suas influências são múltiplas, e sua pesquisa muita bem feita. Leitores e espectadores de ficção mais rodados vão perceber ali claras influências que vão de Arthur C. Clarke até Christopher Nolan, passando por clássicos de ficção pulp como Flash Gordon e Buck Rogers. Pra quem adora o gênero, caçar as influências e referências dentro da trama são uma diversão a parte. Pra quem não manja nada do assunto, e só quer rever um querido personagem da Turma da Mônica, vai se surpreender com a qualidade do que vai encontrar e de quebra também vai encontrar ali ecos do Astronauta do Maurício: os Homens-Geléia, seu amor perdido Ritinha, entre outras referências.

A nota irônica fica pelo fato de que, na ficção de Astronauta, suas aventuras são realizadas pela BRASA (Brasileiros Astronautas), uma instituição não-militar que realiza pesquisas e exploração espacial. É brasileira e usa tecnologia alienígena confiada apenas ao nosso brasileiríssimo Astronauta Pereira (sim, esse é o nome dele!). Já na realidade, nosso ministro de ciência, Sr. Aldo Rebelo, é autor de projetos CONTRA o desenvolvimento científico e, mais recentemente, o Brasil deu um calote em um grande programa espacial chamado European Extremely Large Telescope, assim como fez com a ISS, por considerar que programas astronômicos não são “tão importantes”.

Na vida real, nosso país caminha mais e mais para a era feudal; nos quadrinhos, avançamos a galope para o futuro.

Torço para que nosso futuro seja mais parecido com o de Danilo Beyruth, e menos, muito menos, como o de Aldo Rebelo.

26 COMENTÁRIOS

  1. Oi Tupã

    Também comecei lendo a turma da mônica, mas não me estendi a outros quadrinhos.

    Confesso que não conhecia esse, mas achei super interessante a abordagem dele.

    Gostei de saber que é nacional também, a maioria curte japonês e tal.

    Também torço por um futuro para o nosso país.

    Beijinhos

    Rizia – Livroterapias

  2. Olá,.
    Diferente de você, as histórias do astronauta eram as que eu menos gostava. Até achava ruim quando tinha histórias dele na revistinha já que era uma a menos que eu ia gostar hehe. E também não sou muito fã de ficção cientifica e esses autores que você citou eu não li nenhum. Mas que bom que teve essa releitura para os fãs do personagem. Infelizmente não me interessou.

  3. Oi!!!
    Quando criança lia bastantes revistas em quadrinhos da turma da Monica. Hoje gosto bastante dos da Jovem, mas não leio com muita frequência. Hoje não sou muito fã de histórias de astronautas tenho meus questionamentos. Gostei da resenha bem completa.

    Beijos.

  4. Olá ^^
    Nossa que legal que Magnetar, está com uma continuação, estou gostando muito dessa linha de livraria da Turma da Monica, não sou tão chegada no Astronauta, gostava do Anjinho e do Chico Bento e da Rosinha, e também da Tina, mas gostava de algumas indagações dele, e essa linha parece bem cabeça.
    Também adoro ficar caçando referencias, imagino quanto você se divertiu fazendo isso com seus autores favoritos nessa obra

  5. Oi, leio turma da Monica até hoje, mas nunca me interessei pela turma jovem,. A sua resenha me deixou curiosa porque O ASTRONAUTA é um dos meus personagens favoritos. O traço tálindo né?
    Meu Amor Pelos Livros
    Beijos

  6. Oiiiieee

    Eu não comecei por turma da Mônica, na verdade eu comecei pelos quadrinhos dos x-men rsrs.

    Eu já li uma HQ do Astronauta e achei sensacional. A trama que você nos apresentou me instigou muito pelo contexto psicológico, principalmente por ele viajar com uma psicóloga, fiquei imaginando se ela ficou fazendo ele confrontar a si mesmo durante a viajem.

    É mesmo algo a se alegrar quando vemos uma obra nacional de tamanha qualidade, parabéns pela resenha.
    A diagramação é tão bonita quanto das anteriores?
    Bjs

    diariodeumapsicopedagoga.blogspot.com.br

  7. Oii!

    Eu não conhecia esse HQ mas o problema é que eu não leio muito do genero então não sei.

    Turma da Mônica é muito amor né? eu AMO até hoje hahahaha.

    Como disse, não conhecia o HQ e nem o enredo nele mas eu gostei muito! Sua resenha está ótima e muito bem escrita! O que me fez ficar bem envolvida com o enredo em geral. O que eu gostei mesmo foi a sua comparação dos quadrinhos com a realidade!

    Beijinhos,

    http://www.entrechocolatesemusicas.com

  8. Oiii,
    Eu não tenho muito conhecimento em HQ brasileira, mas sempre li Turma da Mônica, sou apaixonada, e desde que saiu a Jovem, compro cada exemplar que sai. Mas sou desinformada, não sabia dessa versão do Astrounauta e achei mega legal! Sempre gostei do Astronauta e adoro esse estilo ficção científica, de outros planetas, E.Ts e pá, então vou procurar pelos exemplares agorinha. Parabéns pela resenha, adorei saber disso.
    Xx

  9. OIa
    Eu não gosto muito de ler historias em quadrinhos! na verdade eu nunca li, rsrs! Achei esse ai bem legal! Sempre que eu encontro a minha prima ela me enche de indicação de HQ’s e eu sempre digo que vou tentar ler! rsrs
    Abçs

  10. Nossa, é bastante informação em um post. Achei mega completa a sua resenha e principalmente para mim que parei nos quadrinhos da Mônica mesmo. Não leio os HQ adultos e ainda penso em ler os do TWD porque amo o seriado mas só por isso. Neste que você mostrou já está bastante avançado, mas não faz meu estilo. Acho que você escreve muito bem. Parabéns!

  11. Ual! Que resenha completa e maravilhosa!
    Um posto excelente! Parabéns!!

    Eu não sou a pessoa certa para comentar, não leio HQs, apesar de achar muito interessante, o tempo que tenho acabo me voltando para o livros… Só li mesmo, em peso, TWD, até a revista 72!

    Continue assim, qualidade inegualavel de post!

    Bjus
    http://www.fundofalso.com

  12. Eu adoro a turma da monica e esses volumes especiais estão incríveis.
    O astronauta nunca foi meu personagem preferido e confesso que nem pensaria em ler Singularidade. Ao menos não antes de ler sua resenha. Me pareceu que ele está perfeito para todos os tipos de leitores e eu adorei isso.
    E como o país seria melhor se fosse mais parecido com a ficção, hein?
    Beijinhos,
    Lica

  13. Olá…
    Achei interessante esse texto e mesmo sem compreender muito bem algumas partes, porque meu lado Nerd não funciona muito bem apesar de curtir uma boa ficção… eu curti o que li aqui…. Eu sempre li a Turma da Mônica… e sempre que podia estava com um exemplar novo… acho que se eu voltar a pegar em algum HQ seria deles, mas devo confessar que fiquei extremamente curiosa por esse… Xero!!!

    http://minhasescriturasdih.blogspot.com.br/

  14. Oi, tudo bem
    Eu não sou conhecedora do assunto, por isso não reconheci os nome desses autores que você citou. Mas uma coisa temos em comum: adoro ficção científica. Nunca li um quadrinho desse gênero, confesso que nunca mais li um quadrinho. Eu adorava A Turma da Mônica, acho que como a maioria. Vou deixar sua dica anotada. Gostei muito do seu texto.
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

  15. Oiee,
    Li poucos quadrinhos na vida e confesso que não os curto tanto assim. Quero voltar a ler esse estilo literário, mas sempre fico um pouco receosa de não gostar.
    Bom, gostei muito do seu texto sobre a trama

    Beijos

  16. Olá!
    Eu já tinha visto esses quadrinhos mas não sabia que era do astronauta que eu lia na infância, nas hqs de Mauricio de Souza. Fiquei com muita vontade de ler por causa do seu comentário positivo.
    Beijos

  17. Oi,

    Os primeiros quadrinhos que li também foram da turma da monica, já tinha visto essa nova versão do Astronauta, inclusive é uma das minhas leituras de ferias, e como essa é a resenha do segundo volume eu nao li toda para não pegar nenhum spoiler.

  18. Oi!
    Confesso que não leio muitas HQ's, mas fiquei bastante impressionada em saber que esse autor está em um projeto em conjunto paratrazer hq's com outros personagens da turma da monica, de modo a atrair os adultos.
    Como não gosto muito de ficção científica não sei se a leria, mas achei muito bacana os temas abordados por ele, e principalmente o fato de serem volumes fechados e voce nao precisar da anterior para ler essa.
    http://www.gordinhaassumida.com.br

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