Blade Runner é um dos nomes mais conhecidos entre os fãs da ficção e do Cyberpunk. Sendo uma adaptação do livro de Philip K. Dick de 1968, Andróides Sonham Com Ovelhas Elétricas?, o longa chegou nas telas de cinema em 1982 pelas mãos de Ridley Scott e tendo Harrison Ford no papel principal.

E desde então, Blade Runner já ganhou versões de animação e quadrinhos, que expandem ainda mais este grande universo de Phillip K. Dick. Entre elas está a trilogia Blade Runner 2019, lançado no Brasil pela Editora Excelsior. A trilogia é continuação direta do longa original de 1982, mas isso não significa que precise ter assistido ao filme. Pelo contrário.

Leia também: Resenha | Blade Runner 2019: Volume 1

A história é totalmente nova, com personagens inéditos e uma trama que daria um belo filme. Por sinal, o roteirista das três edições de Blade Runner 2019 é Michael Green, indicado ao Oscar por Logan, Blade Runner 2049 e Assassinato no Expresso do Oriente.

Blade Runner 2019 Off-World dá um salto de alguns anos após os acontecimentos do primeiro volume. Agora Ash e Cleo e vivem nos mundos fora da Terra, Off-World, se escondendo do pai de Cleo, o magnata Alexander Selwyn. Assim como na primeira edição, a Editora mantém o seu belo trabalho com uma Novel muito bem produzida.

Leia também: Resenha | Duna – Graphic Novel

A história tem um crescimento e o universo de Blade Runner fora da Terra, assim como o passado de Ash é mais explorado. É interessante observar, diferente dos filmes, como é o mundo de verdade para os necessitados. Se nos longas e anime, temos apenas uma breve descrição, a Novel é muito mais gritante.

Além disso, apresentar personagens femininas fortes e que ainda precisam lidar com os velhos padrões comportamentais machistas, é algo mais do que bem vindo. Ash, assim como Cleo, são personagens interessantes e com camadas que fazem o leitor terem mais empatia pelo que passam.

A introdução da nova Blade Runner no enredo e mostrar o quanto o mundo mudou e ainda ligar a HQ ao prequel do segundo filme Blade Runner 2049, Blade Runner Black Out 2022, é algo inteligente para que o fã se situe na linha do tempo das personagens.

A composição de cores e os desenhos desta Graphic Novel continuam notáveis. A apresentação dos mundos fora da Terra, assim como os diferentes Replicantes, a violência física e mental, são algo que elevam a qualidade desta obra, tornando cada página uma verdadeira arte e uma homenagem a Syd Mead, o designer do filme de 1982.

Leia também: Resenha | O Corvo - Edição Definitiva

Mas não é apenas de visual que Blade Runner 2019 Off-World é feita. A Graphic Novel continua com toda a sua crítica social durante a jornada de Ash e Cleo. Mesmo que a história seja em torno das duas, o roteiro encontra vários meios de apresentar uma sociedade decadente e muito mais claustrofóbica do que as vistas anteriormente.

E este é o ponto chave e primordial destas obras: não ficar apenas vinculado a uma única trama, sem conseguirmos entender o que acontece ao lado das protagonistas. Enquanto outras HQs apenas usam o fundo como apenas um mero desenho para mostrar onde os personagens estão, Blade Runner 2019 apresenta pessoas reais e ruas deprimentes como uma foto de um local que já estivemos e tentamos fugir.

Blade Runner 2019 Off-World, assim como o seu primeiro volume, são obras que merecem ser lidas por todo fã da franquia e também por aqueles que amam o Cyberpunk e sua profundidade e estética social.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por Favor insira seu nome aqui