Resenha: Caraval- Stephanie Garber

Em Caraval a fantasia se mistura com a realidade. Será que você é capaz de vencer este desafio?

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Existem realidades que são muito cruéis. A de Scarlett e sua irmã Donatella é uma delas, quando crianças, foram abandonadas por sua mãe, o que deixou seu pai devastado e agora usa de força bruta para controlar suas filhas. E por força bruta eu me refiro a mais do que uma violência ocasional, além de bater nas filhas o Governador já chegou a matar para deixar claro seu ponto.

Desde pequena Scarlett tenta proteger sua Tella, por ser mais velha ela achou que deveria assumir o papel de mãe. Pensando em alegar a irmã, começa a mandar cartas para Lenda, um poderoso homem que comanda o Caraval, local meio mágico do qual só conhecem através de histórias de sua avó. Nenhuma delas é atendida, até que Scarlett manda uma avisando de seu noivado e finalmente recebe um convites para participar dos jogos de Caraval.

O problema é que Scarlett planejava casar para tirar ela e sua irmã desse ambiente tóxico e agora, além de correr o risco de serem pegas pelo pai controlador ao tentar sair da ilha, Scarllet não pode perder o dia de seu casamento. Através de uma armação de sua irmã com o marinheiro Julian, ela é levada a força e chegando lá, descobre que o objetivo de todos os participantes do jogo é encontrar exatamente sua irmã, que foi sequestrada por Lenda. Agora, Scarlett tem 5 dias para encontrar sua irmã, mas pode gastar apenas 3 se quiser voltar para casa a tempo de se casar.

Caraval
Caraval Pistas

Stephanie Garber brinca constantemente com o limite entre a realidade e ilusão, inclusive é esse lema que rege o Caraval, os participantes são avisados de que nada no jogo é real, mas há sempre a desconfiança de que tudo parece mais realista do que deveria. Toda a trama é envolvida por esse clima de ilusionismo, até mesmo as pistas que a autora dá sobre as explicações no desfecho parecem um grande truque de mágica, em alguns momentos parecem tão óbvias que começamos a desconfiar, de que seja apenas para despistar, como um verdadeiro truque. Para reforçar esse argumento, o livro é praticamente atemporal, além de não ter uma contagem normal dos anos na parte da “realidade” e parecer ser ambientado em tempo passado (vestidos com corpete, anáguas e mulheres dominadas por pais que só podiam sair de casa casando dão essa dica), no Caraval o tempo realmente passa de outra maneira, onde até mesmo o horário útil é de noite e o toque de recolher de dia.

Entretanto, o verdadeiro foco de Caraval vai muito além de um jogo, vai além até mesmo do amor fraternal de Scarlett e Tella, ele mostra a evolução de uma garota oprimida para uma mulher decidida. Scarlett entra no jogo para apenas para salvar sua irmã, mas as provações acabam dando a ela força para se impor mais, mostrando uma verdadeira evolução. É realmente muito interessante a maneira que a autora escolheu para mostrar uma superação pessoal de uma maneira tão informal e instigante.

Caraval é uma daquelas obras que são mais do que prometiam. Inicialmente aparentando ser uma aventura gostosa, talvez com uma pitadinha de terror, se mostra muito mais profunda que isso, abordando questões importantes e narrando uma importante evolução pessoal.

Cheio de reviravoltas, Caraval consegue surpreender no desfecho, se encaixando perfeitamente, por mais lógico que seja. O final deixa um enorme gancho para uma promissora continuação, que sem dúvidas deixará o leitor muito ansioso para ela.

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