Resenha: A Casa do Lago- Kate Morton

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O ano é 1933 e uma grande festa está acontecendo. Tudo corre bem, porém no dia seguinte descobrem que o pequeno Theo, de apenas 11 meses, sumiu. Já em 2003, o caso não foi resolvido, mas a detetive Sadie, que cometeu um erro em serviço e está visitando seu avô enquanto sua suspensão vigora, se depara com a antiga casa onde o menino nasceu e resolve investigar o caso. Assim, seu caminho se cruza com a famosa escritora de romances policiais Alice, irmã de Theo que possui alguns segredos sobre o dia em que seu irmão caçula sumiu, quando ela ainda era adolescente.

Em poucas palavras, é disso que se trata o romance A Casa do Lago, porém na prática acaba sendo muito mais complexo que isso. Kate Morton entrega uma rede de intrigas bem interessante, resolvendo mais de um mistério por vez e unindo vários fatos para montar um quebra-cabeça extremamente satisfatório.

Para isso a autora usa de uma narrativa dividida, onda navega entre o passado e presente para levar o leitor dá década de 30 a 2003, entre capítulos intercalados. Essa escolha de escrita funciona, entretanto não tão bem como o desejado. Acaba sendo o maior defeito do livro, já que a autora apenas apresenta a vida das diferentes personagens no começo e demora um bom tempo para o leitor se familiarizar com eles e com os inúmeros detalhes que, à primeira vista, parecem irrelevantes. O resultado é uma obra muito boa, mas que só consegue realmente prender a atenção lá pela metade da trama, tornando o inicio da leitura bem lento.

O mundo tinha sua própria maneira de manter a balança em equilíbrio. Os personagens culpados podem escapar à acusação, mas nunca escapam à justiça.

Isso torna A Casa do Lago uma obra conflitante -de uma maneira interessante-, pois acaba se tornando um livro maravilhoso, porém muito demorado para ler. Com cerca de 460 páginas, é do tipo que qualquer leitor ávido leria em apenas alguns dias, mas por ter o início tão lento acaba demorando, no mínimo, o dobro do esperado. É curioso como um livro de mistério tão bom possa demorar tanto para ser lido.

Entretanto, assim que o leitor consegue pegar o ritmo e se situar na vida de cada personagem, a leitura flui maravilhosamente e Kate consegue apresentar teorias cada vez mais lógicas, que raramente coincidem com o que realmente aconteceu naquele fatídico dia. O desfecho é realmente satisfatório – mesmo tendo um pequeno detalhe que acaba sendo previsível-, não deixa nenhuma ponta solta e consegue encerrar graciosamente a história de todos os personagens apresentados, independente da época em que viveram.

Por isso, é seguro dizer que A Casa do Lago possuí uma trama impressionante, mas só a partir de certo ponto. É uma história que merece sua atenção, apenas com o aviso de ter paciência e, se a leitura não fluir no começo, persistir, pois em dado momento a trama irá te surpreender e se tornar um dos melhores mistérios que você já leu.

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