Resenha: Cidade dos Espelhos- Justin Cronin

"Venha a mim"

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A Cidade dos Espelhos chega para finalizar a trilogia “A Passagem”, de Justin Cronin.

A saga, iniciada no volume homônimo, mistura ficção, horror, aventura e uma pitadinha de romance. Explorando os efeitos pós-apocalípticos da liberação de um perigoso vírus, os três volumes são focados em Amy e seus amigos sobreviventes.

***Atenção: Pode conter spoilers dos volumes anteriores a seguir***

Se preferir, veja a resenha dos outro volumes:

A Cidade dos Espelhos acabou sendo o melhor livro da trilogia. Passado cerca de 22 anos após os acontecimentos finais de Os Doze, a trama mostra realmente a construção de uma nova civilização, onde durante duas décadas os sobreviventes da terrível batalha tentam se adaptar à nova realidade, vivendo um via comum.

Porém, essa paz não irá durar muito, Fanning, do qual descobrimos a existência no final do segundo livro, ainda pretende se vingar do grupo e após esse longo hiato de preparação, finalmente resolve atacar. Zero, como é conhecido, acaba carregando nas costas toda a ação dessa obra, já que enquanto prepara o ataque é quem deixa um tensão no ar e depois é quem se encarrega das á conhecidas batalhas de Cronin.

Obviamente, a narrativa não linear está novamente presente, viajando pelo  passado de Fanning e revelando aos poucos o destino do restante do grupo. Entretanto, em A Cidade dos Espelhos ela se revela mais profunda, explorando mais a fundo o lado emocional dos personagens e, por ser um volume final, finalmente mergulhando nas resoluções românticas.

A ambiguidade também é mais evidente nessa obra, podemos notar alguns traços filosóficos em meio ao caos nos volumes antecessores, mas nesse fica bem clara a intenção do autor em colocar um duplo sentido para analisar emocionalmente os personagens, por exemplo, ao longo da leitura descobrimos que o título, “Cidade dos Espelhos” se refere tanto à única solução encontrada para atrasar os virais (lembram quando descobriram que os reflexos deixavam as criaturas desnorteadas?) quanto uma referência ao “o reflexo de quem somos”, mostrado pela evolução e auto-análise dos personagens ao longo dos anos.

A Cidade dos Espelhos é um livro mais emotivo, Cronin criou uma relação incrível entre seus personagens ao longo da saga e é inevitável criarmos um carinho por eles, por isso a conclusão de toda essa aventura acaba ficando bastante emocional.

O autor conclui satisfatoriamente a trilogia, mas a grande surpresa fica por conta do epílogo. Essa parte ressalta a genialidade de Justin e deixa o leitor realmente impressionado com sua capacidade de nos surpreender.

 

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