quinta-feira, 22, outubro, 2020

Resumo

Com amor, Simon é uma história de amor adolescente que aquece qualquer coração e nos faz torcer para que eles fiquem juntos e que consigam superar todos os conflitos, dificuldades e julgamentos que essa nova realidade lhes reserva... todo amor é válido.

Resenha | Com amor, Simon

Com Amor, Simon é o novo nome de “Simon vs a Agenda Homo Sapiens”, de Becky Albertally, lançado primeiramente no Brasil em 2016 e, em 2018 com nova edição, em decorrência do filme, pela editora Intrínseca.

Resenha | Com amor, Simon 1
Livro Com amor, Simon/ Foto por @tbjreis

Simon Spier tem 16 anos e é um garoto normal. Tem uma família amorosa e amigos legais. Embora não seja a pessoa mais popular da escola, não vemos um personagem “borocochô” e sim alguém muito interessante. Simon e sua família vivem no subúrbio de Atlanta, na Geórgia e frequenta a escola secundária Creekwood. Mas o que ninguém sabe é que ele guarda um grande segredo: ele é gay e ele não conversa sobre isso com ninguém, pois não vê problemas em sua orientação sexual, porém rejeita a ideia de ter que ficar dando explicação para as pessoas – afinal, por que só os gays têm que se apresentar ao mundo? Será que nós heteros precisamos passar por isso? Por que é mais simples para uns do que para outros?

No decorrer da leitura, Simon troca e-mails com um garoto chamado Blue. Ambos escondem suas verdadeiras identidades. A todo momento Simon se identifica como Jaccques e tudo está indo bem, até que um dia, ele usa o computador da escola e não encerra a sessão… alguém printa as suas mensagens enviadas para Blue e começa a chantageá-lo. E nesse momento, tudo parece confuso. Será que ele sede a chantagem ou não? Lidar com as dúvidas, com as inseguranças, com a aceitação não só de si próprio, mas do mundo e ainda não ter a certeza se quer ou não se revelar é muito complicado.

“Estou cansado de viver em um mundo onde não posso ser quem sou. Eu mereço uma grande história de amor e quero alguém com quem compartilhá-la.” – Simon

O livro aborda o amadurecimento e no decorrer da trama vemos o crescimento de Simon e dos outros personagens. Cada personagem tem a sua própria história e sabemos sobre cada um mesmo tendo sido narrado em primeira pessoa. Um detalhe muito interessante é a identidade de Blue que só conhecemos no final do livro. A essência da obra é o amor próprio e de não ter medo e enfrentar dificuldades. Conseguimos sentir o que ele sente em todos os momentos de estresse, raiva, felicidade, tristeza… e torcemos para que ele consiga de fato ser feliz.

Algo que chama muito atenção, é a escrita de Becky que é leve e flui no de decorrer da leitura. Ela consegue transparecer por meio das palavras cada sentimento e a cada capítulo temos a sensação de nos apaixonarmos também. E além disso tudo, muitas reflexões sobre sexualidade são discutidas no livro, essa questão de se assumir e como isso pode ser complicado e mais ainda quando tiram esse momento de você como acontece em determinado momento da trama. A chantagem agora ganha forma e de proporções gigantescas. Vemos muitas manifestações de preconceito, de desrespeito, mas também vemos a postura de adultos que se sensibilizam com a causa. Que lutam por igualdade e repudiam qualquer ato de violência. O momento mais tocante é a família que aceita e acolhe, cada um da sua forma, mas acolhe Simon da forma como ele é.

“Por que o hétero é o padrão? Todos deveriam declarar de uma forma ou de outra, e não deveria ser uma coisa tão estranha, seja você hétero, gay, bi ou qualquer outra coisa. Estou apenas dizendo.” – Simon

Muito capítulos são compostos apenas pelos e-mails que Jacques (Simon) e Blue trocam. E é algo muito bonito, pois ambos são sinceros e naturais. E percebemos que em cada palavra está impresso uma demonstração de amor, carinho, afeto, olhares, referências musicais e outras são bem presentes e fazem com que eles criem a sua própria relação e dá certo, mesmo que virtualmente. Vale a pena ressaltar que, apesar da temática, é uma história leve e com vários momentos de humor e que passa uma mensagem, mas escolhe traze-la entre momentos de descontração, em uma colocação bem suave. Simon é branco, tem uma família estruturada que o ama, é de classe média alta, tem seu grupo de amigos e vive uma vida muito boa. Mas nada disso diminui o fato de que ele ainda não se sente “seguro” para expor sua sexualidade ao mundo.

E depois que ele é exposto, ele se vê forçado a se revelar e é nesse momento que a autora coloca nosso cérebro para pensar. Porque há tanta “naturalidade” em você ser heterossexual, que é a suposição principal que não precisa ser anunciada? Mesmo com o tom sério do questionamento ainda há uma conversão para tornar tudo leve e descontraído. E outros temas surgem como o ambiente familiar, as piadas com relação a sexualidade, a relação de amizade entre os personagens, o amor na adolescência e o bullying escolar que sempre marca presença. Mas Simon consegue lidar com toda essa “bola de neve” de forma serena e calma.

A adaptação tem a sua graça, embora muitas coisas tenham sido cortadas e mudadas, o filme tem aquela pegada de filme ”High School” e o ator escolhido para o Simon foi incrível. Com amor, Simon é uma história de amor adolescente que aqueceu qualquer coração e nos faz torcer para que eles fiquem juntos e que consigam superar todos os conflitos, dificuldades e julgamentos que essa nova realidade lhes reserva. É uma obra de pertencimento aos jovens e talvez até de encorajamento aos mais velhos, na escolha ou não de se “reapresentar” ao mundo.

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