Resenha: Como Parar o Tempo- Matt Haig

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Como parar o tempo Book Cover Como parar o tempo
Matt Haig
320
HarperCollins Brasil
1/10/2017

A primeira regra é não se apaixonar. Tom Hazard esconde um segredo perigoso. Ele pode aparentar ser um quarentão normal, mas por causa de uma estranha condição está vivo há séculos. Da Inglaterra elisabetana à era do jazz parisiense, e de Nova York aos mares do sul, Tom já testemunhou tanto que agora precisa apenas de uma vida normal. Sempre trocando a identidade para se manter a salvo, ele encontra o disfarce perfeito trabalhando como professor de História em Londres. Assim, pode trazer suas experiências do passado como fatos vivos. Pode manipular as histórias para seus alunos. Pode levar uma vida normal. Tom só não pode se esquecer da primeira regra. Aquela sobre paixão... Como parar o tempo é um romance doce e envolvente sobre como se perder e se encontrar na própria história. É sobre as certezas da mudança dos tempos e o tempo que a vida leva para nos ensinar como vivê-la.

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Como Parar o Tempo possui uma premissa bem simples, e talvez por isso passe a impressão de ser mais do mesmo, o famoso sentimento de “já li essa história ou vi esse filme em algum lugar.” Entretanto, é só impressão. Escrito com a alma, a obra é uma celebração a vida e não ao amor.

“Amor à primeira vista pode ou não existir, mas amor ao primeiro momento existe sim.”

Matt Haig não escreve uma história como tantas outras sobre um imortal que sofre as amarguras do tempo por ter perdido sua amada e se amaldiçoa até encontrar um novo verdadeiro amor. O autor nem mesmo emprega um nêmesis- como em Highlander-, para enfrentar no final e descobrir os motivos de sua imortalidade. Não  há explicações mágicas para a condição de Tom, o personagem principal, ser imortal. Ele apenas é. E durante o livro, o autor brinca e até prova que ser imortal é algo normal, usando de comparativos com outros animais que vivem séculos em contraste com outros que vivem apenas por instantes.

E o que é viver? Esta pergunta é martelada durante a todo instante em páginas que nos levam aos diversos passados do personagem- e ao seu presente. A leitura acaba até se tornando uma brincadeira interessante, pois após seu desfecho, o leitor pode retornar e ler apenas capítulos da infância de Tom, de seu presente ou uma data específica. Se esta foi uma ideia premeditada ou não, este livro acaba por ter uma brincadeira bem interativa.

“Essa era a conhecida lição do tempo. Tudo muda e nada muda.”

Durante seus séculos de vida, Tom, que é um professor de história, ensina que dificilmente esquecemos do nosso passado e que muitas coisas tendem a se repetir. A caça as bruxas pode ter acabado, mas o tema de caçar o que é desconhecido apenas trocou de nome. Ter medo do desconhecido é algo inevitável e mesmo aquele que é o “estranho”, tende a temer o “normal”. E temer, é o que leva qualquer ser vivo a cometer atos insanos. Em ambos os lados.

E pela jornada do personagem, que acaba sendo cada um de nós, descobrirmos por idas e vindas que até nós mesmos acabamos por ver o mundo como um “clichê”. Quem com seus anos vividos e experiências adquiridas não consegue prever de certo modo vitórias ou derrotas? Ou até mesmo perceber que muitos padrões se tornam repetitivos? Ao decorrer da leitura, o leitor irá se deliciar ao perceber que o mundo não possui separação de cores como muitos dizem. Ele não é apenas branco, preto ou cinza, o mundo é fluído e o passado e o presente, são aquilo que chamamos de futuro. E este passado e até mesmo nosso hoje, podem nos trazer sofrimento. Chorarmos por amores e partes de nossa vida que não deram certo. Caminhos que deveríamos ter seguido mas por alguma escolha, resolvemos não seguir ou ir por uma outra trilha. Olhamos de uma maneira pessimista para o nosso futuro sem perceber que o nosso hoje, um dia foi nosso amanhã. E que muitos dos sorrisos que possuímos, pessoas que estão ao nosso redor e até mesmo futilidades, são o nosso “presente”.

“Você não é o único que sofre no mundo. Não segure as dores como se fossem preciosas. Tem o suficiente delas por aí.”

Primeira obra adulta de Haig, Como Parar o Tempo fala justamente sobre o agora. Da maneira que o ser humano deveria parar de desejar tanto o futuro e apreciar o seu hoje. Mas isso sem deixar de lado em olhar as estrelas e pensar no que existe além delas. Só que de uma maneira com menos sofrimento. Porque sempre ansiamos por algo de uma forma negativa que nos leva ao desconforto de pararmos de sonhar. E isso nos torna antagonistas de nossa própria história. E outros, que deveriam ser nossos parceiros de história, os protagonistas destas páginas.

Como Parar o Tempo é um livro para ser apreciado de muitas maneiras, e ser relido de anos em anos, além de se parar para discutir com um amigo ou alguém muito especial.

Os direitos de Como Parar o Tempo foram comprados pelo ator Benedict Cumberbatch. A adaptação será feita pela produtora do ator, a SunnyMarch, em parceria com o Studiocanal.

 

Veredito
Nota do Thunder Wave
ViaTexto escrito por Alan Uemura
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