segunda-feira, 30, novembro, 2020
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Crítica: Batman vs Superman- A Origem da Justiça

Batman vs Superman: A Origem da Justiça chega às telas fazendo o serviço que todo fã dos heróis da DC queria: A gênese do multiverso composto pelos personagens-título, Mulher-Maravilha, Cyborg, Flash e etc. Sim, em Homem de Aço alguma ideia chegou a ser pincelada, mas é aqui que tudo fica muito mais claro. Aliás, junto com seu poder de entretenimento escapista, talvez seja esse o maior mérito do filme. Absolutamente imperfeito por elementos que serão abordados mais adiante, são suas pontas soltas – e aqui não de forma pejorativa – prontas para serem amarradas nas sequências que fica a grande expectativa do público.

Completamente prejudicado por seu trailer hiper-expositivo, a trama não foge do que já foi visto e imaginado. Bruce Wayne (Ben Affleck) vê Superman (Henry Cavill) como uma ameaça por toda destruição causada em Homem de Aço. Por sua vez, Kent vê o morcego como um vigilante cujos métodos não são os mais corretos. Já o jovem Lex Luthor (Jesse Eisenberg) encontra na rincha entre os dois heróis uma oportunidade para estabelecer, e concluir seus maléficos planos.

Sim, uma trama completamente comum, e similar à qualquer outra de filmes de heróis é o que temos, e fica a cargo de Zack Snyder como contar essa história. Muito dos antigos trabalhos de Snyder está aqui: Câmeras em slow e planos em contra-plongée são seus elementos característicos mais recorrentes. Quando filma alguma cena de ação, Snyder o faz com eficiência. Talvez não a mesma eficiência de Nolan em O Cavaleiro das Trevas e O Cavaleiro das Trevas Ressurge, mas mesmo empregando um estilo mais “conturbado”, o espectador nunca fica perdido em meio ao que está acontecendo.

O Roteiro de David Goyer é extremamente problemático em certos pontos. Nos dois primeiros atos do filme, acompanhamos quatro personagens em suas jornadas: Wayne, Kent, Luthor, e Lois Lane. Os dois primeiros, por serem protagonistas, deveriam carregar consigo as tramas de maior peso, mas infelizmente não é o que acontece. Lois Lane – que continua com os mesmos poderes de onipresença do primeiro filme – tem um tempo de tela muito grande para um personagem que pouco move as ações. Luthor por sua vez, não consegue deixar claro quais são suas motivações, e por isso acaba criando um aspecto de Coringa – aquele que só quer ver o circo pegar fogo. Outro elemento que não funciona é a quantidade de passagens não reais. O excesso de flashbacks misturado com devaneios de personagens, acaba desgastando a experiência do espectador, que por vezes pode acabar se desligando da narrativa principal.

Crítica Batman vs Superman
Batman vs Superman Imagem: Divulgação

Talvez a atuação mais polêmica venha ser a de Eisenberg, que criou um Luthor fascinado pelo poder e com um certo “quê” de esquizofrenia. Claro, não é o Luthor que o público está acostumado, mas seus trejeitos e atitudes combinam com sua jovialidade. Ben Affleck até tenta, mas não consegue ter o mesmo carisma de Christian Bale. Affleck tem sérias dificuldades de expressar-se, conotando um personagem unidimensional. Unidimensionalidade essa que permeia o trabalho de Cavill, que nem sequer esforça-se para trazer emoções ao seu personagem. A impressão que fica da dupla, é que foi gasto mais tempo malhando do que potencializando suas interpretações. Amy Adams como sempre está eficiente, apesar de sua personagem por vezes tomar atitudes que possam irritar o espectador.

A montagem do filme é extremamente funcional, principalmente nos dois primeiros atos e nas batalhas. Como acompanhamos quatro personagens ao mesmo tempo, a montagem paralela tem que ser clara, e isso acontece muito bem. Nas cenas de batalha (com exceção de uma), os cortes são mais rápidos, conferindo um tom de agilidade a ação. Uma ressalva deve ser feita: No final do terceiro ato, acontece um pequeno descaso nesse elemento, e o espectador fica um pouco confuso acerca da ordem de alguns eventos ocorridos. Essa leve saturação poderia ter sido facilmente evitada, pela opção de 10 ou 15 minutos a menos de projeção.

Com uma fotografia sombria, que justifica-se apenas pelo fator Batman – que não é o protagonista – e pouca profundidade de campo, o 3D acaba sendo completamente dispensável. Por outro lado, é necessário que fique ressaltado o trabalho de Hans Zimmer. O compositor dá um show, e sua música traz um peso dramático incrível à narrativa – principalmente nas cenas de batalha.

No final das contas, pode não parecer, mas por sua honestidade de entregar exatamente o que prometeu, e começar o que pode ser um caminho bacana para os fãs desse universo, Batman vs Superman: A Origem da Justiça acerta um pouco mais do que erra. E com uma cena como a batalha final em que temos os três principais heróis da franquia lutando juntos de forma tão funcional e bonita, é inevitável que um sentimento de ansiedade pelo próximo filme não venha à tona.

Batman vs Superman: A Origem da Justiça estreia amanhã, 24 de março nos cinemas.

Nota do Thunder Wave
Batman vs Superman comete vários erros, mas ainda assim é um começo promissor para Liga da Justiça.

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