sábado, 26, setembro, 2020
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Crítica: Steve Jobs

Não é binário, você sabia? Você pode ter um dom e ser decente ao mesmo tempo“.

Esta frase, tão oportunamente proferida por Steve Wozniak, em 1998, na cidade de São Francisco, às vésperas do lançamento do computador iMac, e dirigida para seu amigo e parceiro de criação Steve Jobs, o fundador da gigante da informática Apple, sintetiza com perfeição a simples complexidade da persona e da própria vida de Jobs, um indivíduo de genialidade ímpar, em eterna batalha com sua personalidade beligerante e intransigente.

É esta enigmática personalidade que Steve Jobs (EUA, Reino Unido, 2015), filme impecavelmente dirigido por Danny Boyle (Quem Quer Ser um Milionário), escrito de maneira colossal por Aaron Sorkin (A Rede Social) e protagonizado com extrema competência pelo cada vez melhor Michael Fassbender (Macbeth: Ambição e Guerra) procura decifrar, ao mesmo tempo em que escancara a indiscutível ferocidade e auto-confiança do homem que, sem dúvida, transformou o mundo em que vivemos hoje.

A produção é estruturada em três momentos-chave da trajetória pessoal e profissional de Jobs: 1984, às vésperas do lançamento do primeiro computador pessoal da Apple, o Macintosh; 1988, ano do lançamento do computador Next, projeto-solo de Jobs após sua demissão da Apple, depois do fracasso de vendas do computador que havia criado em 84; e 1998, às vésperas do lançamento do iMac, projeto que marcou o retorno de Jobs à Apple e que o consolidou como o gênio da informática que passamos a conhecer até sua morte, vítima de um câncer no pâncreas, em 2011, aos 56 anos de idade.

Steve Jobs
Michael Fassbender e Seth Rogen em Steve Jobs | Imagem: Divulgação

Entremeando estes eventos capitais da vida de Jobs, o roteiro magnânimo de Sorkin (sem dúvida, um dos melhores e mais complexos já filmados em todos os tempos), retrata de maneira dinâmica (mas excessivamente verborrágica), as relações de Steve com os personagens de seu cotidiano, como seu ex-parceiro de empreitada Steve Wozniak (o comediante Seth Rogen, mostrando que sabe atuar), seu ex-chefe John Sculley (Jeff Daniels, de Débi & Lóide 2), seu fiel engenheiro-chefe Andy Hertzfeld (Michael Stuhlbarg, de Homens de Preto 3), sua leal assistente e faz-tudo Joanna (Kate Winslet, de Pecados Íntimos), além da problemática Chrisann (a bela Katherine Waterston, de Vício Inerente), mãe da única filha de Jobs, Lisa, interpretada em três diferentes momentos pelas pequenas Ripley Sobo e Makenzie Moss, e também pela jovem brasileira Perla Haney-Jardine (Kill Bill Vol. 2). Em todas estas interfaces, brilha o dinamismo técnico do roteiro de Sorkin, além da direção sempre arrojada de Boyle (aqui mais discreto do que o habitual).

Ao contrário da maioria dos críticos e imprensa, não considero JOBS, filme lançado em 2013, dirigido por Joshua Michael Stern e protagonizado por Ashton Kutcher, uma produção propriamente ruim. Mas bastam 10 minutos do longa de Boyle para visualizar a diferença abissal entre sua produção e o longa dirigido por Stern. Steve Jobs dá um banho! O texto de Sorkin é tão inteligente e complexo, que, em alguns momentos, atinge a perfeição cinematográfica. Como se não bastassem o texto e a direção, o trabalho de edição realizado por Elliot Graham (de Trash: A Esperança Vem do Lixo) também merece destaque. Uma sequência em particular, em que Jobs interage com John Sculley em dois períodos distintos, mas mostrados de maneira simultânea, é de uma competência tão avassaladora, que, por si só, já mereceria uma ovação em pé. Neste, e em vários outros momentos da produção, brilha a segura direção de Boyle e o talento de seu primoroso elenco, em especial é claro, seu protagonista Michael Fassbender, absolutamente irrepreensível.

Ainda assim, Steve Jobs não é um filme fácil. O excesso de diálogos e os pouquíssimos cortes cobram bastante esforço do espectador, que demora um pouco para absorver o excesso de informações que chegam bombardeando o tempo todo. Mas é exatamente esta a essência do próprio Steve Jobs. Um ser diferenciado, por vezes genial, mas cujo talento para os negócios não agregava sua vida pessoal, repleta de ressentimentos, relacionamentos mal resolvidos e muitas falhas na comunicação. Ao criar tantas ferramentas para aproximar cada vez mais as pessoas, Jobs, de alguma maneira, se distanciava delas e, ao mesmo tempo em que facilitava a comunicação humana, não conseguia cruzar as fronteiras nem de sua própria vida familiar. Talvez fosse o preço a se pagar pela genialidade. Genialidade que chega extremamente bem traduzida ao cinema, pelas talentosas mãos de Boyle, Sorkin e Fassbender, num filme absolutamente necessário.

Veja a ficha técnica e elenco completo de Steve Jobs.

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Nota do Thunder Wave
Steve Jobs possui um enredo maravilhoso, mas o excesso de diálogo pode exigir muito do espectador

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