quarta-feira, 23, setembro, 2020
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Crítica: Trumbo- A Lista Negra

Filmes que abordam os bastidores de Hollywood e a arte de se fazer cinema costumam ter um apelo especial para os cinéfilos interessados não apenas nos longas, mas também no processo que gera uma produção cinematográfica. Quando se trata de filmes que trazem como protagonistas figuras reais e controversas, o interesse costuma ser ainda maior. Se depender disso, Trumbo – Lista Negra (Trumbo, EUA, 2015) seguramente será uma opção imperdível quando chegar aos cinemas nesta quinta-feira (28).

Alvo da “Caça às Bruxas” realizada pelo governo dos Estados Unidos, após o final da Segunda Guerra Mundial, que tinha como propósito punir qualquer simpatizante do comunismo promovido pela União Soviética, país inimigo dos norte-americanos durante a Guerra Fria, Dalton Trumbo (Bryan Cranston, da série Breaking Bad) foi um brilhante roteirista e romancista que, por defender abertamente o comunismo, despertou a ira da comissão de inquérito que investigava ações antiamericanas, na segunda metade dos anos 1950.

Pertencente ao grupo chamado The Hollywood Ten (Os Dez de Hollywood), Dalton foi banido, junto com seus outros nove colegas de profissão, dos estúdios hollywoodianos, quando as investigações da comissão voltaram a atenção para o cinema, alegando que os filmes exerciam grande influência na opinião pública quanto a legitimidade do comunismo em pleno solo norte-americano. Após cumprir um período de detenção, Trumbo encontrou sua família e seus amigos passando por dificuldades. Foi quando decidiu voltar a escrever sob pseudônimos, para garantir o sustento de sua esposa e filhos.

Dalton Trumbo
Dalton Trumbo

Trumbo – Lista Negra pode ser dividido em dois momentos: o primeiro, mais sério, retrata o início da perseguição sofrida pelo partido comunista estadunidense, que tinha entre seus apoiadores nomes como Gregory Peck e Lauren Bacall; o segundo, mais leve e divertido, mostra as sacadas de Trumbo para driblar a censura ao seu nome e garantir o sustento não apenas dos membros de sua casa como também dos amigos.

Dirigido por Jay Roach, conhecido por comédias escrachadas como Austin Powers (1997) e Entrando Numa Fria (2000), o longa ganha muito ao abordar um tema sério, como a ferrenha (e, para alguns, mortal) caça aos comunistas na metade do século passado, com humor. Talvez este enfoque tenha mais apelo para as plateias de fora dos EUA, uma vez que a opção do diretor, apoiado pelo roteiro de John McNamara (que adapta o livro de Bruce Cook), não parece ter agradado uma parcela da crítica norte-americana. Além disso, o primeiro ato de Trumbo, mesmo interessantíssimo para quem tem curiosidade sobre o ocorrido no início da Guerra Fria, pode não envolver aqueles que estão mais interessados na figura do roteirista do que no contexto histórico. É para este público que o filme ganha fôlego a partir do segundo ato e a familiaridade de Roach com o humor permite sacadas bem bacanas, em especial quando entram em cena John Goodman (de O Grande Lebowski) e Stephen Root (de Selma: Uma Luta Pela Igualdade) como os Irmãos King, donos de uma produtora de filmes B, para quem Trumbo decide trabalhar.

trumbo

Por sinal, é o elenco de Trumbo – Lista Negra que garante ao longa o equilíbrio entre o cômico e o dramático. Bryan Cranston transita muito bem entre os dois tons, o que garantiu ao ator uma justíssima indicação ao Globo de Ouro 2016 pelo seu desempenho. Diane Lane (de Homem de Aço), na pele de Cleo Trumbo, esposa do escritor, mostra que não é apenas uma coadjuvante de luxo e, com uma interpretação serena, faz de sua personagem um verdadeiro pilar para a casa, que sofre inúmeras perturbações por conta da posição política do patriarca da família. Elle Fanning (de Super 8) arrebenta e, no papel da filha mais velha de Dalton, Nikki, é responsável por boa parte da carga dramática da película. Os já citados Goodman e Root realçam o humor da produção e, como um bom vilão sempre dá um charme a qualquer narrativa, aqui isso é algo que não poderia faltar. Neste caso específico, trata-se de uma vilã (e que vilã): Hellen Mirren (de Hitchcock), que, na pele de Hedda Hopper – influente colunista de cinema na época – agrada muito com seu jeito ferino de ser os olhos e a voz da comissão de inquérito em Hollywood.

Independentemente de ser fiel aos fatos, risco que toda biografia corre, Trumbo – Lista Negra é um filme muito gostoso de se assistir, em especial por conta das inúmeras referências à Era de Ouro de Hollywood. Como se isso não bastasse, o longa diverte, emociona, informa – mesmo que de maneira superficial – e garante aos fãs do eterno Walter White um trabalho digno do talento de Bryan Cranston.

Trumbo – Lista Negra estreia nos cinemas nesta quinta-feira, dia 28 de janeiro.

Nota do Thunder Wave
O longa se torna gostoso de assistir pela referencias à época de ouro do cinema, em conjunto com as maravilhosas atuações.

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