Resumo

É uma leitura bacana e por ter como pano de fundo o mundo do rock n ‘roll, o livro contém alguns temas sensíveis que podem despertar algum gatilho nos leitores, por isso prossiga com cautela. Alguns assuntos como abuso de drogas e alcool, estupro de menor, uso de violencia contra mulher, aborto e outras questões são retratadas na narrativa. A sua estrutura em entrevista ping-pong é o diferencial do livro.

Resenha | Daisy Jones & The Six

A década de 70 foi um período memorável para os amantes do rock n´roll. Depois que os Beatles revolucionaram o rock dos anos 60, a década seguinte se tornou palco para o surgimento de grandes nomes do gênero tanto lá fora quanto no Brasil. Impulsionado por bandas como Led Zeppelin, Black Sabbath, Deep Purple, Ramones, Aerosmith, The Clash, entre outros, sons e letras mais elaboradas e inovadoras, começaram a ganhar espaço juntamente com o rock progressivo, o heavy metal e o punk. Inspirado nesse universo musical eletrizante, sensual e ousado, a autora Taylor Jenkins Reid escreveu “Daisy Jones & The Six: Uma história de amor e música”.

O livro conta a história de uma menina de Los Angeles que sonhava em ser uma estrela do rock e de uma banda que também almejava seu lugar ao sol. E de tudo o que aconteceu ― o sexo, as drogas, os conflitos e os dramas ― quando um produtor apostou que juntos poderiam se tornar lendas da música. Os personagens são profundos e alguns menos cativantes que outros, mas ainda sim, é um livro que merece o seu espaço na sua estante. Lembrando, é uma banda *fictícia*, porém com uma energia tão intensa que temos a sensação que sua existência foi real.

A princípio, quando começa o livro, Daisy é uma menina de 14 anos que não tem muita importância na vida dos pais e que começa a frequentar o agitado mundo do rock. Saindo a noite com groupies, experimentando bebidas e drogas, além do sexo. Infelizmente, essa é uma fase que acabou moldando a Daisy que conhecemos na vida adulta e a forma como ela conheceu a relação sexual não foi das melhores. Ela foi abusada e só se deu conta disso anos depois. Ela é descrita como uma jovem ruiva, de olhos azuis, magra, linda como se estivesse saído de uma capa de revista, além de impressionar a todos com seus looks ousados. O seu maior talento é a sua voz, um dom natural que chama muito atenção.

E neste mesmo contexto, conhecemos a vida humilde de dois irmãos, que com suas guitarras desejam ser a maior banda de rock do mundo. No início são conhecidos como “Dunne Brothers”, e mais tarde seriam os “The Six”, uma banda formada por 6 jovens talentos que precisam trabalhar duro para alcançar o objetivo almejado. Somos apresentados ao Billy Dunne, o então vocalista da banda, um rapaz que sabe muito bem onde quer chegar. Ambicioso por nascimento, o garoto não mede esforços para levar sua música aos quatro cantos, e quando se esbarram em Rod Reyes (futuro empresário), Billy passa a ansiar ainda mais por seus objetivos.

O formato adotado pela escritora é diferente do que vemos em outros livros. A estrutura segue no formato “entrevista ping-pong”, pois se reproduz as respostas de alguém às perguntas feitas por um entrevistador, e no livro, só nos falta ler as perguntas feitas pela “autora” da biografia. Mas, para leigos, o formato deste livro pode ser descrito  como “ler” um documentário. É uma experiência interessante e diferente do texto corrido, a leitura fica mais dinâmica e rápida. Por meio dessa estrutura, podemos imaginar as emoções que eles sentiram no momento de suas falas.

Não vou mentir, comecei a ler por causa dela, Daisy Jones. Queria saber o que ela fez de tão extraordinário para o seu nome vir antes do nome da banda no título. E já no início ela tem um problema com os homens, na verdade os homens que tem um problema com as mulheres e ela decide que vai fazer o que quiser sem se importar com o que os outros vão pensar. Ela é livre, é ousada e quer mostrar para o que veio e ela está cansada de ver homens se apropriando de ideias dela e fazendo sucesso com isso, enquanto Daisy permanecia desconhecida, conversou muito comigo. Isso conversa conosco, mulheres. Afinal, uma mulher, independente de etnia, precisa trabalhar dez vezes mais do que um homem.

“Quando você está numa situação como essa, sendo ameaçada por um homem, é como se tudo o que você fez para chegar até aquele momento — em que você se vê sozinha com um cara em quem não confia — passasse diante dos seus olhos. Alguma coisa me diz que não é isso o que acontece com os homens. Quando eles estão ameaçando uma mulher, duvido que revejam o que fizeram para se tornarem uns babacas. Mas deveriam olhar para trás e perceber o que aconteceu.” – DAISY JONES.

Contudo, quando ela se junta com o The Six, ela mostra quem ela é de verdade. Só mais uma riquinha que não para de se drogar e faz o que quer e quando bem entende sem se importar com os outros. O discurso que ela tinha no início não combinava mais. Ela queria ser adorada, fazer sucesso da noite para o dia e a vida real, como você e eu conhecemos e muito bem, não é assim. Então, me frustrou um pouco saber que ela não tinha nada de mais. Era só mais uma que se achava a última estrela do céu, mas não passava de uma mulher egoísta.

A banda foi formada por Billy, Graham – irmão mais novo de Billy-, Peter, Eddie, Warren e Karen. Tudo sempre foi decidido por Billy e percebemos que no início, Graham não se incomodava, mas os demais sentiam que tudo só valia se tivesse a aprovação do irmão de Graham. O começo deles foi bem difícil, mas eles começaram a fazer sucesso e infelizmente, de um lado para o outro fazendo show com bebida, drogas e sexo a vontade, Billy ficou viciado e isso lhe custou o nascimento de sua primeira filha e a confiança de sua esposa, Camila.

Assim como Daisy, Billy também é um personagem chato. Se achava um gênio, o novo “Bob Dylan”, mas a verdade era que ele estava quebrado, tinha talento? Sem sombra de dúvidas, mas era um  cara difícil. É clara a oposição entre ele e Daisy, ele só sabia escrever músicas sobre o casamento fruto de um amor do fim da adolescência e impunha a própria vontade sobre todos os outros, até que Daisy chegou e desafiou isso. Embora eles brigassem tanto, era previsível que iriam se apaixonar. Apesar do clima ficar ruim, eles não souberam como conduzir e a banda acabou. Parte do jeito deles de se comportarem como “os incriveis”, é o fato das pessoas que trabalharam com eles como Teddy e Rod não darem a mínima para os demais integrantes.

Os homens parecem achar que merecem um prêmio quando tratam as mulheres como seres humanos. – Karen.

Graham e Karen vivem um dos relacionamentos mais fofos do livro e torci para que eles ficassem juntos. Mas ele queria uma família com filhos e tal, e ela queria o mundo e isso conversa muito com nós, mulheres, que temos que pensar em nossas carreiras, mas não podemos esquecer que nosso corpo tem um tempo limitado para a maternidade e como se já não fosse um conflito interno super difícil de lidar, o mundo impõe o que devemos ser, como ser, o que vestir, que devemos ser mães, que é errado não ser dona do lar e infinitas possibilidades de cercar a nossa liberdade. E é na Karen, uma das mais conscientes, que entendo suas decisões.

A Camila também não é uma personagem ruim, vejo nela uma força incrível e muita resiliência para aguentar e enfrentar a vida ao lado de um astro do rock. Vemos que o tempo todo ela tenta achar um jeito de não ser a pessoa magoada da história, mas nem sempre é possível, já que não temos controle sobre as atitudes do outro e até mesmo sobre as nossas. A Simone, outra personagem legal da trama, amiga de Daisy, sabe bem como é trabalhar duro para alcançar os objetivos, ela é um dos contrapontos de Daisy. Os demais personagens são legais, cada um com seus conflitos e suas camadas bem trabalhadas. 

“E, não importa onde a gente esteja, ou que horas sejam, o mundo está no escuro e nós somos duas luzes piscando. Na mesma sintonia. Nenhuma das duas piscando sozinha”. – simone.

No geral, é uma leitura legal e foi uma experiência incrível conhecer os bastidores da formação, da “era de ouro” e do rompimento repentino deles. É perceptível que cada integrante tinha uma opinião diferente sobre o que levou ao fim da banda. Mas o mais maravilhoso, foi a autora ter criado tudo isso, além de ter transformado uma pessoa presente na história em biógrafa da banda. Infelizmente, só os personagens Billy e Daysi que poderiam ser um pouquinho mais legais, de restos, é perfeito. Tem até as letras das músicas do álbum da banda.

Lembrando, a série do Prime Video, Daisy Jones & The Six, baseada no famoso livro homônimo da escritora Taylor Jenkins Reid, já tem data confirmada para chegar ao streaming: dia 3 de março. A produção está sendo muito aguardada pelos fãs do livro lançado em 2019, e contará a história da banda fictícia que fez sucesso na década de 1970.

Com dez episódios no total, sendo lançados semanalmente até o dia 24 de março, a série trará Riley Keough no papel da vocalista Daisy e Sam Claflin dando vida à Billy Dunne. Além deles completam o time Suki Waterhouse, Camila Morrone, Will Harrison, Sebastian Chacon, Timothy Olyphant e Josh Whitehouse. A produção ficou com Reese Witherspoon e com a própria autora do livro, que se mostrou contente com o resultado final.

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É uma leitura bacana e por ter como pano de fundo o mundo do rock n ‘roll, o livro contém alguns temas sensíveis que podem despertar algum gatilho nos leitores, por isso prossiga com cautela. Alguns assuntos como abuso de drogas e alcool, estupro de menor, uso de violencia contra mulher, aborto e outras questões são retratadas na narrativa. A sua estrutura em entrevista ping-pong é o diferencial do livro. Resenha | Daisy Jones & The Six
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