Damas de Pedra entrou para o conhecimento do público no início de 2023, quando virou notícia no mundo inteiro depois que o vídeo da filha do autor viralizou no TikTok. Em uma técnica certeira de marketing, ela esperava despertar algum interesse, mas o post sobre o livro de Lloyd Devereux Richards superou as expectativas ao atingir mais de 40 milhões de visualizações e assim se tornou um best-seller.

Lançado originalmente em 2012, a obra chega ao Brasil este ano pela editora Intrínseca. O livro, escrito durante as horas vagas de Richards por 14 anos, ganha seus momentos de glória onze anos depois do lançamento, conquistando os fãs de thrillers policiais.

Através da investigação da antropóloga forense do FBI Christine Prusik, a narrativa resgata os elementos dos antigos thrillers investigativos que já possuem um público cativado. Prusik já lidou com vários casos bizarros na carreira, porém agora se depara com um que mexe com seu emocional, tanto pela brutalidade quando pelo lado pessoal que é ativado nela. A agente está investigando um serial killer que estrangula jovens mulheres e descarta seus corpos em ribanceiras. Em cada cadáver, ele deixa uma assinatura: uma estatueta de pedra enfiada no fundo da garganta.

Para Prusik, esse expediente traz ecos do seu passado. Estatuetas parecidas com essas eram usadas como amuletos espirituais por grupos nativos da Papua-Nova Guiné — os mesmos grupos com os quais a agente trabalhou há uma década durante uma pesquisa de campo. Esses eventos trazem à tona traumas de seu passado e fazem com que sua vida corra perigo.

Entre divisões de capítulos, a narrativa de Richards mescla entre a investigação e os assassinatos, indo a fundo na mente do serial killer e os acontecimentos que o levaram a se tornar um assassino. Os capítulos que contam com essa análise de personalidade se tornam realmente interessantes, conquistando principalmente os fãs de true crime pelo trabalho de pesquisa envolvendo o psicológico do personagem.

Entretanto, por apresentar os crimes ao leitor, a parte investigativa se mostra bastante repetitiva, repetindo através das descobertas de Christine o que o leitor já viu acontecendo. Somando a repetição aos capítulos curtos da obra, fica um pouco frustante reler questões duplicadas, por mais interessante que seja ver os fatos sendo construídos pelas descobertas da policial.

O autor acerta ao colocar muito da dificuldade de Prusik em ser tratada como igual em uma profissão predominantemente masculina, mas erra ao inserir isso apenas na metade final do livro. A vida em risco da policial, que é a premissa chamativa da obra, também é muito pouco explorada ao longo da narrativa e aparece de verdade apenas quase no desfecho, quando já se torna bem entendivel quem de fato é o assassino.

Damas de Pedra trabalha com uma boa investigação, uma boa construção psicológica dos personagens e elementos críticos bem colocados. Mas peca ao inserir pontos chaves da trama apenas no final, enquanto investe em pequenos romances que não levam a trama adiante e algumas repetições que poderiam ser poupadas, transformando a história em algo mais dinâmico e imersivo.

Resumo
Nota do Thunder Wave
resenha-damas-de-pedra-lloyd-devereux-richardsDamas de Pedra trabalha com uma boa investigação, uma boa construção psicológica dos personagens e elementos críticos bem colocados. Mas peca ao inserir pontos chaves da trama apenas no final, enquanto investe em pequenos romances que não levam a trama adiante e algumas repetições que poderiam ser poupadas, transformando a história em algo mais dinâmico e imersivo.

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