Resenha: Deuses Americanos- Neil Gaiman

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Neil Gaiman já é um cara que dispensa apresentações. Conhecido por seus inúmeros trabalhos, Gaiman possui livros, quadrinhos e roteiros famosos em seu currículo. Deuses Americanos é uma obra audaciosa do autor, onde resolveu inovar e colocar na America várias encarnações de deuses de mitologias diferentes.

Publicado originalmente em 2011, Deuses Americanos conquistou o público e ganhou no ano seguinte ao seu lançamento os prêmios Nebula e Hugo. E não é por acaso, Gaiman, através de sua maravilhosa narrativa, apresenta uma trama original e extremamente bem pensada, que consegue encaixar todos os detalhes e levar ao leitor uma visão diferente do mundo.

Narrado por Shadow, o livro proporciona uma viagem pelos Estados Unidos, mostrando detalhes geográficos e culturais enquanto o protagonista, que acabou de sair da cadeia e perder sua esposa em um acidente, faz serviços para Wednesday  (nome pelo qual Odin atende atualmente). Há uma eminente guerra entre os Deuses novos e os Deuses antigos e o objetivo de Shadow é ajudar o patrão a encontrar aliados.

Essas buscas resultam em várias apresentações de diversos deuses e deusas, que não são restritos a uma mitologia e sim mesclam todas, tornando a obra ainda mais rica. Entre um local e outro, o autor dedica um capitulo para um dos deuses, onde conta como ele foi criado.

ACHO QUE PREFIRO SER HUMANO A SER DEUS. A GENTE NÃO PRECISA QUE NINGUÉM ACREDITE QUE EXISTIMOS. A GENTE EXISTE DE QUALQUER JEITO.

A visão das religiões empregada por Gaiman é interessante e respeitosa. Ao abordar todas, ele conseguiu respeitar as diferentes opiniões e ao descrevê-los como típicos americanos, que assumiram essa forma quando chegaram ao país, evitou qualquer confusão, tudo isso sem deixar de explicar cada um dos personagens apresentados de acordo com sua crença.

A premissa em si é simples, a principio não se sabe nem o motivo de Shadow ter sido preso, apenas vemos como ele lidava na prisão, como saiu e como começou a ajudar Wednesday, porém a riqueza da obra está nos detalhes. Enquanto mostra essa missão, o autor deixa ocasionalmente alguns acontecimentos paralelos aparecerem nos capítulos que parecem irrelevantes, mas que ao final se mostram muito importantes para o total entendimento do desfecho. É como se Neil usasse dos truques que tanto comenta no livro em sua própria escrita.

A editora Intrínseca nos forneceu a “edição preferida do autor”, que é mais completa e além de várias informações extras, possui explicações de Neil Gaiman sobre suas inspirações. Nela está também o encontro de Shadow com Jesus, que segundo o autor não havia onde encaixar nos acontecimentos, mas deveria estar no livro, pois se a trama fala de deuses na America, precisa ter uma menção a Jesus, afinal, é a figura religiosa mais adorada pelos americanos.

Edição Preferida do Autor publicada pela Editora Intrínseca

Em suma, Deuses Americanos é uma versão adulta das tantas obras que reúnem mitologias, apenas deixando de se dedicar a apenas uma delas. É uma história inteligente e tão cativante, que já está com uma série adaptada pelo Starz prestes a estrear, no final de abril.

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