Resenha: Fragmentados- Neal Shusterman

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Fragmentados Book Cover Fragmentados
Neal Shusterman
320
Ficção
Novo Conceito

Em uma sociedade em que os jovens rejeitados são destinados a terem seus corpos reduzidos a pedaços, três fugitivos lutam contra o sistema que os fragmentaria. Unidos pelo acaso e pelo desespero, esses improváveis companheiros fazem uma alucinante viagem pelo país, conscientes de que suas vidas estão em jogo. Se conseguirem sobreviver até completarem 18 anos, estarão salvos. No entanto, quando cada parte de seus corpos desde as mãos até o coração é caçada por um mundo ensandecido, 18 anos parece muito, muito longe.

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Como é imaginar uma vida em que na adolescência existe uma lei em que a partir dos treze anos de idade você pode ter seu corpo doado para uma fragmentação? Parece loucura em um mundo real, mas talvez esta seja somente uma ideia que pode futuramente servir para um intuito político ideal.

A verdade é que a Lei da Vida é um dos principais temas do livro Fragmentados de Neal Shusterman, que cita que a partir dos treze até os dezoito anos qualquer pessoa pode ser doada para ter os órgãos do corpo separados e colocados em outra pessoa.  Logicamente esta lei foi criada após uma guerra civil denominada Guerra de Heartland, onde muitas pessoas morreram e outros ficaram feridos pela questão de escolha entre dois lados: o que defende a vida e o que defende a escolha.

Em um cenário caótico passado nos Estados Unidos é que Connor, Risa e Lev serão os personagens principais desta história. Se você está imaginando algo que pode ser uma fantasia ou distopia estranha ou até meio parada já pode ir mudando o seu pensamento. Quando iniciei a leitura de Fragmentados me entreguei totalmente aos personagens que apesar de possuírem características diferentes uns dos outros, são focados em uma questão crucial: viver.

Connor já tinha sido declarado um doador por seus pais, que sequer pensaram que ele queria viver de verdade. Mas seus pais estavam pensando em uma vida mais confortável, pensando nas férias enquanto ele estivesse sendo feito em pedaços durante a fragmentação.

Risa nunca teve muita escolha já que foi abandonada quando nasceu. Mas como os bebês nascidos não podem ser descartados, ela foi mantida em uma instituição até completar a idade certa para serem enviados aos campos onde diversos outros adolescentes são preparados para a experiência final.

Já Lev nunca imaginou algo diferente para si. Sua vida toda fez com que sua família fizesse dele um doador em potencial, um dízimo, e ele sabia que quando completasse seus treze anos iria direto para os campos e o seu destino seria traçado.

“ – Também há pessoas que dão como o dízimo o primeiro, o segundo ou o terceiro filho. Cada família deve tomar a decisão sozinha. Seus pais esperaram muito tempo antes de tomar a decisão de ter você” (Pág.31).

A tensão e a adrenalina estão presentes em todas as páginas. O mais brilhante no enredo é que de um lado há um personagem que foi criado para ter uma visão de um servente para uma religião em que seus pais acreditavam e de outros que queriam a todo custo fugir. E é a partir daí que todas as cenas começam a mudar. Não é somente através deles que Fragmentados constrói uma trama feliz. Diversos outros personagens são inseridos na história aos poucos e assim vai sendo criado uma guerra, uma forma de visão em que talvez se encontre a solução para o problema.

Há momentos em que fiquei com o coração na mão. Outras em que parecia estar fugindo junto com os adolescentes. Mas ao final do livro você percebe que tudo não pode terminar daquela real forma e o que mais deseja é que tenha continuação.

Os capítulos estão intercalados entre os personagens e a Novo Conceito acaba de publicar Desintegrados, a continuação da Trilogia. Há muita ação e reviravoltas em Fragmentados e você com certeza vai se perguntar diversas vezes de que lado está antes de tomar uma decisão sobre esta lei de um mundo do qual eu nem sonho em fazer parte. Você vai aceitar ou se tornar um revolucionário?

“Ninguém sabe como acontece. Ninguém sabe como é feita. A colheita dos fragmentários é um ritual médico que fica confinado às paredes de cada clínica de colheita da nação. Sob este aspecto, não é diferente da própria morte, pois ninguém sabe que mistérios jazem além daquelas portas.” (Pág.273).

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