Resenha: Mentiras como o Amor- Louisa Reid

1
6868

 

Para quem nunca leu ou ouviu falar sobre a autora Louisa Reid, preciso começar a falar sobre o primeiro livro que a Novo Conceito publicou: Corações Feridos. Este livro trouxe uma história conturbada e triste, onde duas irmãs gêmeas precisam lutar contra um pai que causa a tortura na família de uma forma que costumamos ver em jornais algumas vezes. Porém uma delas tem uma síndrome que a torna desfigurada, precisando lidar com a sociedade após a perda da irmã. No mínimo uma obra que precisa ser lida e absorvida aos poucos tamanha a dor que causa, mas com muita lição.

Quando Mentiras como o Amor surgiu como uma nova possibilidade de leitura, me joguei em um novo drama que eu sabia que haveria pela frente, afinal a primeira experiência havia sido maravilhosa e a sinopse deste agora tinha me deixado na dúvida sobre o quanto pode ser refletido em uma doença mental ou em um romance.

A personagem de Audrey é uma adolescente que está passando por dificuldades desde a infância. Sua mãe é uma mulher que vive à sua volta, cuidando para que nada saia errado, sempre olhando para que ela tome seus medicamentos, conhecendo os mais diversos médicos da área da saúde mental e tentando não deixar nada passar despercebido. A nova vida no interior da Inglaterra é uma mudança estranha, mesmo após um incêndio que tirou a casa da família. Uma família composta por Audrey, sua mãe e seu irmão Peter de cinco anos.

Aos poucos vamos conhecendo a vida da personagem, como ela é tímida e como a vida dela não teve nada de novidades. A autora foi poupando detalhes e eu até mesmo pensei que a história não estava alcançando o seu objetivo, já que a introdução era de que Audrey tenha uma doença mental como a depressão e que a mesma escute e veja coisas que a façam surtar.

“ Existe um jeito, se você pensar com bastante vontade, de fazer com que elas parem de machucar. Qualquer coisa. Mas eu não devia ter medo, meu pai sempre dizia não se preocupe, assobiando e fazendo meu braço balançar quando me acompanhava até a escola tantos anos atrás, e eu erguia os olhos e ele era um herói, a coisa mais segura em todo o mundo. Não se preocupe, seja feliz, Aud, dizia ele. E eu senti um aconchego por um momento, relembrando.”

Leo é um segundo personagem que vai fazer a história se tornar um pouco mais de romance. Ele é o garoto mais velho e vizinho de Audrey. Ele não é aquela perfeição total, também teve e tem seus problemas, mas é como um frescor na vida da garota. E é com ele que tanto Audrey quanto Peter vão conhecer novas questões da vida e principalmente Audrey, conhecendo o sentido da palavra amor e segurança.

O livro por certos momentos fica nestas idas e vindas entre os personagens, mas a autora vai introduzindo a questão da doença aos poucos. Senti um pouco mais de necessidade de ação, de mostrar algo mais consistente e isto aconteceu da metade para o final. E então eu fiquei com medo. O diagnóstico é um mistério até se tornar verdadeiro e então eu entendi o que a frase na capa final do livro dizia: Perturbador, uma história emocionante.

Completamente perturbador. Algo que eu sequer sabia que existia, sendo que me considero uma pessoa que entende um pouco sobre o mundo destas loucuras de hoje em dia. Mas o que a personagem passa a enfrentar é um mundo escuro, amedrontador e alucinante. Nunca me passou pela cabeça isso ser possível e durante a leitura até o final fiquei pensando se não deixei passar alguma situação assim na minha vida. Medo. Bastante medo. Isso é o que alguém que vive assim deve sentir o tempo todo.

“ Virei-me para ir, mas a Coisa bloqueava a porta e eu não consegui passar por ela, e, naquele calor, uma gota de suor escorreu pelo meu pescoço, descendo pelas omoplatas e pelas costas. A Coisa me empurrou para a frente outra vez, contra a beirada do fogão, e a água se agitou e entornou e borbulhou e respingou e queimou e eu gritei.”

O final não devia ser diferente, por mais que esperançoso. Mas a autora trouxe uma entonação ideal para a realidade. Nada é como contos de fadas ou romances de época em que tudo acontece de forma feliz.  Mais uma vez relembro da frase e da palavra: perturbador. Sim, no mínimo, mas totalmente fascinante.

1 COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por Favor insira seu nome aqui