Resenha: Não me Abandone Jamais – Kazuo Ichiguro

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Existem obras tão profundas que conseguem ser reconfortantes, mesmo que sejam bem tristes. Esse é o caso de Não Me Abandone Jamais, que possui uma trama praticamente deprimente, mas é colocada de uma maneira tão envolvente, que consegue deixar o leitor totalmente absorvido.

Isso se dá por causa da ótima escrita de Kazuo Ishiguro, que emprega uma narrativa informal e profunda, economizando nos detalhes iniciais e cativando o leitor a cada página.

Não Me Abandone Jamais apresenta três crianças que vivem em um internato na Inglaterra. Narrada por Kathy H., já adulta, descobrimos aos poucos a realidade desse local. Kathy está se aposentando como cuidadora e relembra sua amizade com Ruth e Tommy, que são doadores. Os termos são explicados ao longo da leitura, deixando um mistério que ajuda a prender ainda mais o leitor.

O autor apresenta vários elementos, como as obras artísticas que as crianças são incentivadas a fazer, que são explicados apenas no final, criando um enorme quebra cabeças em tudo vai se encaixando perfeitamente. Tudo isso sempre utilizando de muitas emoções, mesmo sendo uma ficção cientifica, Não Me Abandone Jamais não é focado nisso. A obra fala de amizade, amor, solidão e tristeza, muita tristeza.

O livro rendeu a Ishiguro o prêmio Nobel de literatura de 2017, e não é pra menos, é uma obra que cativa e emociona o leitor. Mesmo levando o público a sofrer com o destino dos personagens, Não Me Abandone Jamais deixa uma linda mensagem e compensa todo o sofrimento, tornado-se marcante e incrivelmente impactante.

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