sábado, 23, janeiro, 2021
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Resenha | O Caderninho de Desafios de Dash & Lily

Num clima natalino, esse livro é uma verdadeira lição sobre como nosso excesso de expectativa pode gerar frustrações desnecessárias

Recentemente, a Netflix trouxe a série Dash e Lily que nos conta a história de dois adolescentes que ao mesmo tempo em que são bem diferentes um do outro também encontram muitas semelhanças entre si. O livro é publicado pela Editora Galera Record e esse é o terceiro livro escrito em co-parceria entre David Levithan e Rachel Cohn. Podemos desfrutar de uma história envolvente que nos proporciona momentos leves e profundos, tensos e calmos, engraçados e tristes.

A protagonista Lily ama o Natal, é uma boa menina, está sempre de bom humor e mesmo não tendo muitos amigos é feliz com sua vida do jeito que está. No entanto, neste ano, com seus pais viajando, seu Natal está arruinado, se não fosse a ideia de seu irmão de deixar um caderninho vermelho na livraria mais caótica da cidade de Nova York com uma série de desafios para o alguém, possivelmente, um garoto que o encontrar, na esperança de talvez encontrar um namorado para Lily. Óbvio, que ela não acredita muito nisso, mas entra na brincadeira e quando Dash, o garoto que encontra o seu caderninho, a responde desafiando-a também, ela não resiste a respondê-lo também. Essa dinâmica os leva por uma incrível aventura pela cidade de Nova York, aos poucos eles vão se conhecendo melhor através da troca de desafios que marcam Natal de uma forma única na vida de cada um deles e nos faz mergulhar em uma história emocionante e reflexiva.

Já o Dash é filho de pais separados e não tem uma boa relação com o pai. Ao mentir para os pais, dizendo para sua mãe que passaria o Natal com seu pai e vice-versa, consegue ficar sozinho em sua casa em Nova York durante as festividades de final de ano – que por sinal, odeia. Ao entrar na livraria mais caótica de Nova York, acaba descobrindo um caderninho que contem instruções para um desafio, o qual consiste em testar aqueles que o aceitarem a fim de selecioná-los para conversar com uma garota desconhecida. Dessa maneira, os dois passam a conversar por meio do caderno, sem saberem, de verdade, quem é o outro com quem estão conversando.

“Não havia nada escrito na lombada desse caderninho em particular. Precisei tirá-lo da prateleira para ver a frente, onde havia um pedaço de fita crepe com as palavras “VOCÊ TEM CORAGEM” escritas com caneta permanente preta. Quando abri a capa, encontrei um bilhete na primeira página.” Dash, pág. 10

Ao mesmo tempo em que Dash e Lily são opostos – ele odeia o Natal, ela adora; ele é bastante sarcástico, ela, gentil e doce; ele tem problemas com sua família, já ela é muito conectada a eles -, ambos são muito semelhantes, e não apenas aos gostos literários. Como qualquer adolescente, ambos procuram por algo que, de certa forma, os complete, por terem um vazio dentro de si. Dash tem dificuldade em acreditar, em ter fé, em ter esperança, e encontrar Lily – a garota que parece se aproximar do seu ideal e alguém com quem ele se identifica sem nem ao menos ter encontrado – parece lhe dar um pouco de otimismo. Lily, por sua vez, precisa descobrir quem ela realmente é, se enxergar além dos seus estereótipos pelos quais ela se define. E é Dash quem a ajuda nesse sentido, já que os desafios a incentivam a ir além, a sair da própria bolha. Na verdade, a aproximação entre eles acaba sendo mais do que um encontro entre dois jovens, e sim, um encontro com o “eu” interior de cada um.

A trama possui uma narrativa fluída e gostosa, fácil de ler e se apaixonar. Um detalhe muito importante é que não é possível diferenciar qual autor escreveu qual parte, pois ambas as partes estão combinadas perfeitamente. A proposta da história foca na fase de descobrir a si mesmo, ou seja, no período de mudanças e escolhas que todos nós enfrentamos. Em poucas páginas o livro nos faz refletir, em meio às ironias dos protagonistas, sobre as mudanças que acontecem em nossas vidas e que devemos aceitar e aprender com essas experiências, vendo sempre o lado bom para levarmos para a vida. E ao longo dos capítulos vemos o amadurecimento dos personagens.

 “As pessoas importantes em nossas vidas deixam marcas. Elas podem ficar ou não no plano físico, mas existem para sempre no coração, porque ajudaram a formá-lo. Não dá para esquecer isso.” (p. 228)

O trabalho gráfico da editora está divino e minha única ressalva são as folhas brancas. Agora resta torcer para a Galera Record trazer a continuação do livro logo para nós, e confesso que estou muito curiosa com a continuação, pois nunca é demais ter uma dose de Dash e Lily e deste romance fofo e cheio de mensagens para refletir. Recomendo sim a leitura, vale a pena.

O livro ganha seus ares reflexivos e são muitos os momentos que exalam verdade entre Dash e Lily, nos quais, ao escreverem no caderninho, revelam suas almas, fazendo com que a gente reflita sobre diversas situações que os protagonistas revelam e abordam no decorrer das páginas. Há muita sensibilidade nesses momentos, e há, também, sinceridade. Apesar disso, o livro não se torna denso ou chato. Com seu leve enredo e suas situações divertidas e inusitadas, faz com que a leitura não perca suas características de um bom Young Adult.

Nota do Thunder Wave
O caderninho de desafios de Dash e Lily é sobre aproveitar os momentos da vida, refletir sobre nossos medos, nossas bolhas. É sobre nos conhecer melhor e com os protagonistas, personagens secundários, situações inusitadas, o cenário maravilhoso... É uma leitura super recomendada para qualquer um que queira refletir e se divertir numa tacada só! Boa leitura.

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