Resenha: O Castelo de Vidro- Jeannette Walls

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Existem histórias que merecem ser contadas e a vida da jornalista Jeannete Walls sem dúvidas é uma delas. Com uma infância difícil e uma relação cheia de altos e baixos com seus pais, seus relatos são impressionantes e chocantes, transformando O Castelo de Vidro em uma leitura voraz.

Jeannete começa narrando sua primeira lembrança, quando com apenas três anos de idade pegou fogo enquanto fazia cachorro quente. Ela já cozinhava sozinha tão nova por dois motivos: sua mãe a incentivava a ser corajosa e independente, enquanto odiava perder tempo cozinhando. Só por aí já dá pra ter uma noção do que esperar dessa obra, e essa ambiguidade no comportamento dos pais é que o que dita toda a narrativa.

Em um estilo romanceado, Jeannete Walls narra sua autobiografia e explica como Rex e Rose Mary Walls criaram seus 4 filhos em meio às dificuldades. A questão é que Rex era alcoólatra e Rose Mary uma aspirante a artista que se dedicava apenas a sua arte, sem nunca conseguir de fato ganhar dinheiro com ela. Por isso, eles viviam em situação precária e sempre fugindo dos credores- constantemente de madrugada-, morando em lares temporários e até mesmo no carro. Também não era nada raro eles passarem fome, as crianças precisavam se virar se quisesse comer, algumas vasculhavam o lixo, outras comiam em casa de vizinhos e assim seguiu a infância deles.

Para uma autobiografia, O Castelo de Vidro é extremamente fluido. Jeannete escreve de uma maneira tão interessante, que nos leva a sentir a mesma coisa que ela sentia em relação à essa criação negligenciada. Primeiro gostando da liberdade e entendendo os argumentos dos pais de serem “contra a sociedade”, mas conforme a leitura (e os personagens) amadurecem, os problemas de alcoolismo, depressão e sérios momentos em que simplesmente não ligavam para os filhos ficam mais evidentes e sentimos junto com os protagonistas o absurdo dessa criação.

Entretanto, não há como negar que a criação não foi de todo o mal. Mesmo sendo difícil, a família realmente cresceu guiada pelo seu lema de que “a dificuldade fortalece” e todos se tornaram bem sucedidos. E é exatamente isso que Jeannete quer expor em seu livro, como em sua relação, principalmente com o pai, o amor supera todos os problemas e no final, ela foi rica à sua maneira.

A família Walls certamente foi notável e é uma história que compensa ser lida. Infelizmente, o famoso Castelo de Vidro que seu pai tanto projetou e deu título ao livro, nunca chegou a ser construído. Porém, serviu como uma bela metáfora para essa interessante narrativa, onde a transparência e fragilidade do vidro se encaixam bem para descrever essa família.

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