terça-feira, 24, novembro, 2020

Resenha | O Príncipe de Westeros e outras Histórias

 

O Príncipe de Westeros e outras Histórias é um livro de contos, organizado por George R.R.Martin e Gardner Dozois, reunindo contos de renomados escritores.  Todas as histórias possuem algum personagem canalha, pois como o próprio Martin escreveu na sua introdução, “Todo Mundo Ama um Canalha”, todos nós amamos ver um personagem mais “cinzento”.

Não sou uma pessoa muito fã de contos. Não é raro achar que tentam colocar uma história muito complexa em poucas páginas, deixando a necessidade de explicar muita coisa em um curto espaço, resultando em algo meio confuso ou até mesmo corrido. O Príncipe de Westeros me deixou com essa exata sensação em vários momentos, muitos dos contos ficaram confusos por causa do motivo mencionado acima. Isso não quer dizer que achei o livro ruim, apenas alguns dos contos. Muito deles foram espetaculares! Entre eles cito:

Como o Marquês Recuperou seu Casaco, que conta a aventura do Marquês de Caraba para recuperar seu casaco muito importante, que além de elegante era equipado de algumas regalias. Foi escrito por Neil Gaiman, um dos maiores nomes da literatura fantástica atual. Entre seus Best-sellers se encontra ‘Deuses Americanos’ e ‘ Coraline’, além de várias HQ’s famosas. Gaiman  ganhou vários premio de literatura.

Qual é a sua Profissão foi meu favorito. Escrito pela maravilhosa Gillian Flynn ( responsável pelo sucesso ‘Garota Exemplar’, ‘Lugares Escuros’ e ‘Objetos Cortantes’), o conto nos mostra um gostoso suspense vivido por uma garota de programa que resolve tentar carreira como clarividente.  A falta de complexidade no passado dos personagens e a narrativa informal, meio cômica, fizeram o conto ficar em primeiro lugar na minha lista de favoritos.

Deixei o livro cair e batemos nossas cabeças tentando pegá-lo. Definitivamente não é o que você quer de uma vidente: um pouco de “ Os Três Patetas”.

A Árvore Reluzente, de Patrick Rothfuss. Centrado no ambiente de seus Best-sellers mais famoso, a saga ‘A Crônica do Matador do Rei’, esse conto só irá agradar aos leitores da mesma. A história acompanha um dia típico na vida de Bast, um dos personagens mais famosos desse romance.

O Príncipe de Westeros, assim como o citado acima, é uma história derivada das obras existentes do autor, a famosa ‘As Crônicas de Gelo e Fogo’, de George R.R.Martin. Aqui Martin conta um pouco sobre o canalha Daemon Targaryen, o príncipe ambicioso que nunca chegou a ser rei.

Em Galho Envergado, a simplicidade foi a chave para o sucesso. Escrito por Joe R. Lansdale, acompanhamos dois de seus mais famosos personagens, Hap e Leonard, em um resgate de uma donzela (não tão donzela assim…) em perigo.

Esses cinco contos, como já mencionei, foram os que considerei espetaculares. Só eles já valem a compra do livro. Porém, alguns deles não foram tão bons quanto esses, mas também não foram ruins. Entre eles estão:

Um Ano e Um Dia na Velha Theradane, que narra uma aventura cheia de magia, em uma guerra entre magos. Um grupo de ladrões é contratado para roubar algo impossível de ser roubado, com um prazo muito curto para fazê-lo antes de terem que abrir mão de suas vidas. Escrito por Scott Lynch, esse conto não entrou na lista de “espetaculares” apenas por cair no problema de excesso de explicação de personagens, mas a história é muito criativa e ao chegar na metade do mesmo, não dá mais para largar.

A Caravana Para Lugar Nenhum, de Phyllis Eisenstein, cai no mesmo problema do anterior. A aventura se torna interessante apenas no fim, até lá, apenas nos deixa curiosos. Aqui, acompanhamos Alaric, o bardo, que parte em uma caravana rumo a um deserto considerado muito perigoso, onde espíritos malignos uivam à noite e miragens são rotineiras. Porém, nem todos os perigos são de fato imaginários.

Finalmente, cito os contos que realmente não me agradaram:

Proveniência foi o conto mais chato da obra. Sério, considerei realmente entediante. David W. Ball escreveu sobre um raríssimo quadro encontrado, e um homem que pretende vendê-lo por um preço bem alto. O problema é que quase toda a escrita foi sobre o histórico do quadro, o que tornou a leitura bem chatinha. O desfecho em si é bem legal, mas será uma vitória se você chegar até essa parte.

Um Jeito Melhor de Morrer. É com muito pesar que digo que esse conto não me agradou nem um pouco. Como uma Whovian de carteirinha, foi sofrido não gostar de algo escrito por Paul Cornell, responsável pela maioria dos meus episódio favoritos da série. O problema é que Paul dá a impressão de ser bom apenas em algo mais visual, escrevendo uma história muito boa, mas que ficou muito confusa pelo alto teor de ficção. Em um filme, ou até mesmo quadrinho, posso ver essa narrativa funcionando, mas não em um conto. Cornell narra um estranho cenário onde um espião se encontra preso em uma luta de vida ou morte com alguém muito perigoso- ele mesmo.

Por fim, temos Em Cartaz, escrito por Connie Willis. Não tenho muito o que dizer sobre o motivo desse conto não me agradar, apenas não gostei da história, é um pouco bizarra. Connie nos leva para uma noite no cinema que acaba sendo bem complicada para o casal protagonista.

Fazendo o balanço geral, apenas três dos dez contos foram desagradáveis, o que significa que o livro é bom. Sinceramente, esperava um pouco mais de alguns dos escritores tão consagrados, mas dou vários pontos positivos pelo tema escolhido. Indico a leitura do livro, mesmo que não gostem de alguns dos contos, tenho certeza que os outros irão compensar.

 

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