Resenha | Outsider- Stephen King

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É possível uma pessoa estar em dois lugares ao mesmo tempo? Em Outsider, Stephen King levanta essa questão ao apresentar um crime que possui um culpado muito evidente com provas quase inegáveis, mas que parece ter a mesma quantidades de provas de sua inocência.

A trama se inicia quando um menino de onze anos é assassinado brutalmente no parque de Flint City. Uma breve investigação aponta Terry Maitland como culpado, já que testemunhas os viram em todos os lugares em que o assassino esteve- e acompanhado da criança. Os depoimentos alegam ver Terry em horários exatos, com sangue em suas roupas e até mesmo levando a vítima ao carro, que contém uma boa quantidade de digitais do personagem, presentes também no corpo encontrado. Com tantas provas contra Terry, a polícia local não demora a tomar a decisão de prendê-lo imediatamente, porém, ao fazê-lo, começam a ir mais fundo nas investigações e descobrem que o acusado possuí álibis tão bons quanto as provas acusatórias.

Em nenhum momento as evidências levam a outro culpado, servindo ao mesmo tempo para incriminar e inocentar Terry. Conhecido como o técnico da liga infantil da cidade, o personagem é muito bem construído e famoso por sua boa índole, o que apenas dificulta a sua condenação. Com isso, o que deveria ser uma prisão simples se transforma em um caso absurdo, onde as teorias parecem levar a explicações inacreditáveis que testam o raciocínio lógico dos envolvidos, enquanto correm contra o tempo para evitar um novo crime.

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Outsider não chega a ser um livro investigativo impressionante, a resolução do caso em si é bem evidente logo nos primeiros parágrafos. A narrativa se desenvolve calmamente entre os detalhes da investigação e a vida intima dos habitantes da pequena cidade, levando à conclusão óbvia, mas que não era o verdadeiro foco da obra. O escritor deixa bem claro sua proposta de explorar como um caso tão estranho consegue afetar a vida de todos na cidade, indo desde os que não estavam envolvidos de maneira alguma no acontecido até à enorme bagunça que a vida das famílias do criminoso, vítima e até dos investigadores vira.

E King não economiza na crueldade ao mostrar essas mudanças. De maneira expositiva e bem chocante, ele mostra como de um momento para outro a vida de qualquer um pode virar de ponta cabeça e famílias podem ser destruídas em segundos. Esses elementos são usados como críticas à sociedade e a maneira como as pessoas lidam com fatos externos, muitas vezes atrapalhando a intimidade alheia ou colocando seus ganhos pessoais acima dos outros.

Os pontos apresentados pelo autor são muito atuais, envolvendo tecnologias e mídias expositivas que constantemente estragam os acontecimentos, chegando a fazer inúmeras vítimas. Entre referências a grandes obras, atuais ou clássicas, King mantém a narrativa atualizada enquanto usa de todos os argumentos plausíveis para expor os absurdos da sociedade atual.

Outsider é uma obra que possui as melhores características da escrita de Stephen King, onde o mistério central é bem desenvolvido, entretanto mantido em segundo plano após os detalhes do cotidiano se destacarem sobre ele. Tomando o cuidado para explicar muito bem os acontecimentos, o autor investe em pontos relevantes que são o verdadeiro trunfo da obra, enquanto desenvolve uma investigação que apenas sua mente poderia pensar em criar.

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