Resenha: A Passagem- Justin Cronin

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Obras com temática pós-apocalíptica não são raras, porém de tempos em tempos surge um autor que resolve inovar na maneira de apresentar esse apocalipse. Justin Cronin é um desses autores, com seu livro A Passagem, Cronin apresenta elementos típicos de uma distopia sobrenatural, mas de uma maneira bem original.

Tudo começa da maneira mais simples, um experimento cientifico audacioso que, é claro, não dá certo. O resultado é drástico, criaturas parecidas com vampiros ficam soltas no mundo, causando um caos coletivo. Eventualmente, cerca de 90% da população é extinta. Quase 100 anos depois, somos apresentados a uma colônia sobrevivente que nos guia para um longo caminho tentando se ver livre da ameaça.

Parece uma trama comum, como tantas que já vimos por aí, mas o diferencial de A Passagem é como isso é apresentado ao leitor. Para começar, somos apresentados aos personagens iniciais, aprendendo sobre sua vida cotidiana e seu passado, para só então entender a questão das experiências. Por isso, o livro é dividido em partes.

Na primeira parte Justin mostra o início do apocalipse, apresentando Amy, uma garotinha de 6 anos que parece ser a chave para o “vírus” funcionar da maneira correta. Amy é pega por Wolgast, agente do FBI encarregado de pegar as pessoas “descartáveis” (condenados no corredor da morte, pessoas sem família e etc) para as experiências. Entretanto, Wolgast não consegue lidar com a obrigação de levar uma criança e a partir daí conhecemos o lado humano do personagem. A partir da segunda parte, tudo muda e avançamos 97 anos no futuro para conhecer uma turma igualmente cativante, que luta para sobreviver.

Cronin se mostra incrível na arte de construir personagens, os que foram apresentados na primeira parte, que não dura mais de 300 páginas, conseguem cativar de uma maneira tão forte, que mesmo aparecendo pouco já fazem falta na metade do livro. Porém, essa capacidade construtiva do autor, mesmo se mostrando totalmente satisfatória no desenvolvimento da obra, é o que torna A Passagem tão extenso, e isso, somado com o tempo que demoramos para entender o caminho que as coisas irão tomar, deixam a leitura um pouco lenta no inicio, que nesse caso dura mais de 100 páginas. Mas assim que a ação é introduzida e tudo começa a se encaixar, a leitura flui e o leitor consegue se entreter nesse enorme quebra-cabeças cheio de suspense.

Outro diferencial da obra é maneira como Justin lida com esses seres sobrenaturais. Fugindo completamente do padrão de terror, onde o foco são as criaturas, o autor praticamente ignora esses seres chamados “virais”, apenas mencionando os ataques, mas focando nos personagens sobreviventes até quase o fim da trama, onde se aprofunda nos virais apenas para deixar o gancho para a continuação.

A Passagem é um volume introdutório, por isso passa um longo tempo apresentando profundamente os personagens, sempre no meio de uma ação. É o inicio de uma trilogia incrível, original e cheia de suspense.

 

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