Resenha: Pequenas Grandes Mentiras- Liane Moriarty

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Pequenas Grandes Mentiras Book Cover Pequenas Grandes Mentiras
Liane Moriarty
400
Intrínseca
27/03/2015

Todos sabem, mas ainda não se elegeram os culpados. Enquanto o misterioso incidente se desdobra nas páginas de Pequenas grandes mentiras, acompanhamos a história de três mulheres, cada uma diante de sua encruzilhada particular. Madeline é forte e passional. Separada, precisa lidar com o fato de que o ex e a nova mulher, além de terem matriculado a filhinha no mesmo jardim de infância da caçula de Madeline, parecem estar conquistando também sua filha mais velha. Celeste é dona de uma beleza estonteante. Com os filhos gêmeos entrando para a escola, ela e o marido bem-sucedido têm tudo para reinar entre os pais. Mas a realeza cobra seu preço, e ela não sabe se continua disposta a pagá-lo. Por fim, Jane, uma mãe solteira nova na cidade que guarda para si certas reservas com relação ao filho. Madeline e Celeste decidem fazer dela sua protegida, mas não têm ideia de quanto isso afetará a vida de todos. Reunindo na mesma cena ex-maridos e segundas esposas, mães e filhas, bullying e escândalos domésticos, o novo romance de Liane Moriarty explora com habilidade os perigos das meias verdades que todos contamos o tempo inteiro.

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Quem vê a capa de Pequenas Grandes Mentiras certamente imagina algo simples, talvez até juvenil. A verdade é que nesse caso não compensa julgar o livro pela capa, a obra se revela muito complexa, cativante e profunda.

A trama acompanha um assassinato, que acontece durante um evento escolar, porém tudo que sabemos a principio é que houve um acidente naquele dia, nem a vítima nem os envolvidos são revelados. Enquanto tentamos desvendar esse mistério, voltamos seis meses antes do incidente para acompanhar a vida de Madeleine, Celeste e Jane.

As “Pequenas Grandes Mentiras” são, na realidade, pequenas omissões vergonhosas na vida das três protagonistas -e de alguns envolvidos. Ao longo da leitura descobrimos os problemas de cada uma, enquanto tentamos relacionar com o assassinato. No final de cada capítulo temos depoimentos de pais que estavam no evento, que servem para manter o mistério, nos dar algumas pistas do acontecido e nos dar a chance de tentar descobrir quem morreu procurando quem não aparece nessas declarações.

A primeira que conhecemos é Madeleine, mãe de três filhos, Chloe, Fred e Abigail. Casada com o amoroso Ed, Madeleine não sofre problemas em seu casamento atual, mas sim com seu ex, Nathan, que a abandonou assim que Abigail nasceu e agora, após 14 anos, quer fazer o papel de bom pai e voltar à vida da menina. Para piorar, Nathan tem uma filha da idade de Chloe, estudando na mesma sala, e está muito bem casado com a jovem e aparentemente perfeita Bonnie. Por não ter um comportamento calmo, Madeleine passará por muitas dificuldades ao ter que se relacionar todo dia com a família do ex de quem claramente ainda guarda rancor.

No dia da orientação Madeleine conhece Jane, uma jovem mãe solteira que acabou de se mudar para a cidade com seu filho Ziggy. Já dá pra imaginar que Jane irá sofrer por ser a única solteira entre o mundo das ricas-muito-bem-casadas que frequentam a escola, porém sua vida complica mais ainda quando Ziggy é acusado no primeiro dia de tentar enforcar Ammabelle, a filha da arrogante empresária Regina e agora Jane tem que lidar com o preconceito contra seu filho, enquanto tenta descobrir se ele realmente fez algo tão grave. Além disso, há algo grave no passado de Jane relacionado ao pai de Ziggy que ela omite de todos.

Por fim temos a personagem mais interessante: Celeste. Dona de uma exuberante beleza, mãe de gêmeos e casada com o rico, lindo e afetuoso Perry, Celeste parece ter o pacote completo, mas sua relação esconde segredos obscuros. Sua situação é tão complexa, que o próprio leitor acaba se vendo perdido ao tentar opinar sobre sua situação, que se encaixa em uma temática muito atual e que necessita ser explorada.

Tudo acontece ao redor de acontecimentos fúteis, que realçam aquele estereótipo de mulheres da alta classe com mania de transformar tudo com grandes problemas. A autora explora até onde a mania de “meter o nariz” na vida dos outros ajudou a criar esse cenário trágico no evento, enquanto os verdadeiros problemas na rotina de cada uma eram ignorados.

A escrita de Liane Moriarty é maravilhosa, de uma maneira muito fluida ela consegue manter o suspense, tanto do assassinato quanto em relação aos problemas pessoais, prendendo completamente a atenção do leitor. É uma leitura desesperadora, daquelas que mal conseguimos largar até finalmente saber o desfecho- e quando precisamos parar de ler, ainda ficamos formando teorias na mente.

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A temática acaba deixando o livro voltado para o público feminino, sem dúvidas as mulheres irão se identificar muito mais e sofrer com o caso de uma mãe que precisou criar sua filha sozinha para depois vê-la caindo de paixões pelo pai que a abandonou e só agora resolveu voltar. Ou a mãe solteira que sofre preconceito por ter tido filho de sexo casual. Agora, se você se identifica com o caso da Celeste, e sei que muita gente irá se identificar, tá na hora de mudar isso!

Pequenas Grandes Mentiras é uma leitura profunda, feminina e maravilhosa! Moriarty acertou em cheio no carisma das personagens e seus problemas absurdamente comuns, que podem acontecer com qualquer um e por isso conseguiu dar uma qualidade impressionante à obra. É um livro altamente recomendado, visto que mal consegui analisar tudo por não querer dar nenhum spoiler.

Publicado pela Intrínseca, Pequenas Grandes Mentiras terá uma série da HBO, que vai ao dia 19 de fevereiro.

 

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