Resenha: Sociedade J.M. Barrie- Barbara J. Zitwer

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Se alguém me perguntar sobre o que eu acho da história de Peter Pan vai acabar se desiludindo completamente com a minha resposta. Não sei o que aconteceu na questão de contos de fadas ou histórias infantis que eu acabei me perdendo em algumas e não gostando tanto assim de outra. Peter Pan é uma delas. Nunca consegui me apegar ao menino aventureiro que vive em um mundo de crianças felizes, talvez pelo fato de eu nunca ter realmente entendido a história ou então por ter assistido o seriado Once Upon a Time e ter achado pior ainda, tanto que desisti de assistir o restante.

A curiosidade voltou a bater ao ver o livro de Barbara J. Zitwer, publicado pela Novo Conceito: Sociedade J.M. Barrie. De início não fazia ideia sequer de quem era J.M. Barrie, mas se você também não sabe, ele é o escritor criador da história de Peter Pan.  Ao ler a sinopse do livro e ver a capa me achei intrigada ao pensar que poderia estar lendo alguma outra sugestão da vida de Peter Pan ou como tudo foi criado de alguma forma.

De início o livro parece bastante interessante. Joey é uma mulher com seus trinta e sete anos que vive praticamente para sua carreira na grande cidade de Nova York. Ela é assistente em um grande grupo de arquitetura e recebe como missão refazer toda a estrutura da antiga mansão Stanway House, onde o autor J. M. Barrie passou parte de suas férias e onde fez grandes amizades. Até, parte dos acontecimentos é verdade, como o cenário da mansão e alguns fatos que são retratados durante o livro sobre a vida do escritor.

-Veja bem, Barrie não era o dono desta casa. Ele apenas ficava lá. Mas foi onde escreveu Peter Pan, então proponho que encontremos um meio-termo entre os dois: se a pesquisa sugerir que ele pode ser um sucesso comercial como destino, e se pudermos identificar os lugares certos para isso, a ideia é criar uma suíte familiar e mobiliá-la como a casa dos Darling, com um quarto vitoriano confortável para os adultos e um bastante lúdico para as crianças, repleto de estrelas, dosséis, murais relacionados à história pintados à mão. Podemos fazer festas de aniversário para as crianças com o tema Peter Pan. Ou para os adultos!  –  Pág. 23

Aos poucos quando Joey vai para a Inglaterra para trabalhar em cima da obra, vamos conhecendo o perfil de outros personagens. O homem que cuida da mansão e sua filha. O construtor Massimo com sua pompa italiana. A cinco senhoras que fazem parte da Sociedade das nadadoras de J.M. Barrie.

A partir desta questão eu achei que fosse haver aí um segredo, um mistério que envolvesse todo este mundo de Peter Pan. Estas cinco senhoras são amigas desde a adolescência e agora que beiram a oitava década de vida, sempre se encontraram todos os dias para um nado no lago de uma propriedade. Ali é onde elas vivem todas as experiências.

Aos poucos cada vida é contada de um jeito diferente mas não com muitos detalhes. É mais a personagem de Joey que aparece como central para mostrar que a vida dela sempre foi deixada de lado no campo sentimental para se jogar diretamente na carreira e como isto a afeta de alguma forma.

É um livro que vai englobar parte da história do autor J.M.Barrie, contando o que ele conheceu na mansão principal, coisas que ele viveu lá e coisas dolorosas pela qual ele passou. É um livro sobre amizade e recomeços, uma história bastante simples que no final se torna mais humilde ainda, com algo bastante clichê.

Conan Doyle uma vez escreveu que Barrie era um homem “que não tinha nada de pequeno a não ser o corpo”. Joey não sabia que Barrie era tão baixinho – só 1,50 metro. Ele devia sentir-se como o menino que nunca crescia. Quanto mais coisas Joey descobria sobre James M. Barrie, mais gostava dele. Barrie gostava dos amigos e eles se tornaram sua família. Joey não conseguia deixar de pensar em Sarah. Será que elas conseguiriam ser amigas para sempre como Barrie e Doyle? – Pag. 132

Para quem gosta da história de Peter Pan e gosta de curtir um leve romance onde a amizade vai ser bastante exaltada, esta é uma obra recomendada. Mas o que é mais legal e que certamente foi o que me deixou satisfeita, é que no final a autora decifra de onde tirou a ideia sobre a questão do livro e muito mais coisas fazem jus a toda criação. Fora isto é uma obra que consegue ser lida rapidamente, com um cenário de interior da Inglaterra cheio de beleza, algumas curiosidades sobre o criador de Peter Pan e sobre o amor. Nada mais.

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