Resenha | The Boys

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Com a estreia da série adaptada, The Boys é um quadrinho que voltou a ser assunto. Publicada originalmente em 2006 pela WildStorm, passando depois para a Dynamite, a saga durou até 2012, com um total de 72 edições e um spin-off, o Herogasm. No Brasil, os quadrinhos chegaram pela editora Devir, em 2010.

Criada pelo irlandês Garth Ennis – conhecido pelo seu trabalho em Preacher e Justiceiro-, ao lado de Darick Roberston, a HQ não tem medo de ser polêmica ou de mostrar cenas fortes, apresentando uma visão diferente dos Super-Heróis, de uma maneira mais realista. Nesse mundo, os chamados Super-Seres, salvo raríssimas exceções, são comerciais e seus atos não são guiados por bondade, e sim pelo que guia todo mundo: fama e dinheiro.

Com liberdade para fazer o que quiserem, os grupos formados pelos Super-Seres se tornam imprudentes, gananciosos e chegados em uma farra. As consequências de seus atos são enormes- mas nunca são eles que as pagam.

Parte da população adora os Super-Seres, queridinhos da mídia, e uma parcela, a que geralmente sofreu as mencionadas consequências, enxerga a realidade por trás de todo o marketing. Assim, se formam equipes como a The Boys, da qual acompanhamos nesse quadrinho. Liderada por Billy Carniceiro, o grupo é patrocinado pela CIA, com o objetivo de colocar na linha os heróis. O primeiro volume mostra a formação dessa equipe, que além do Carniceiro, possui Hughie Mijão, Leite Materno, o Francês e a Fêmea. Para se equiparar aos super poderosos, essa equipe costuma usar o composto V, que dá alguns super poderes a eles, principalmente a super força.

 

The Boys | Imagem: Dynamite

Ao longo dos 14 volumes que tivemos acesso, cortesia da Social Comics, a trama vai gradativamente crescendo, se tornando cada vez mais crítica. Abusando de humor negro e cenas chocantes, Ennis aponta problemas da sociedade que não se diferem de nossa realidade atual, servindo, assim como em Preacher, como um tapa na cara do leitor.

Aos poucos vão surgindo novos detalhes, mostrando as diferentes motivações dos personagens, explicando como foram criados os heróis e entregando questões mais profundas, como abalos psicológicos que vão muito além dos pós-traumáticos, são absurdos e envolventes. Justificando os 72 volumes lançados, o roteiro usa dessas questões para prender o leitor e aguçar a curiosidade, é fácil começar a criar teorias e tentar encaixar as peças, até que uma chocante revelação aparece para confirmar- ou negar-, as hipóteses.

The Boys é uma ótima crítica à sociedade. Com um roteiro medonhamente realista e cenas visualmente pesadas, a HQ apresenta pontos interessantes, reforçados pela falta de pudor e exibicionismo de como são mostrados.

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