Resenha | Universos Afins- Rainbow Rowell

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Um livro feito de fã para fã. Não apenas fã de Stars Wars, mas fã de qualquer coisa. Só quem é fã entende o amor que tem por seu ídolo — mesmo este sendo um filme. É o que o conto Universos Afins relata: o amor de ser fã. A autora da história, Rainbow Rowell, já é uma das autoras mais consolidadas do mercado editorial. No Brasil, seus livros, até o momento, são publicados pela editora Novo Século.

Publicada pela primeira vez em 2017, Universos Afins nos traz uma narrativa em terceira pessoa de Elena, uma jovem fã de Star Wars que resolve acampar numa fila a fim de não perder a estreia do mais novo filme da franquia. Entretanto, nos dias em que a disponibilidade para garantir um ingresso e um lugar dentro da sala de cinema — onde a maior dos cinemas dispõem de lugares marcados no ato da compra —, a graça de ser fã, acaba morrendo.

É com esse intuito de resgatar o lado fã da Força, que a jovem junta-se a Gabe e Troy, dois meninos completamente misteriosos e que juntos, formam uma “imensa” e “animada” fila de três. Nem quando o jornal local resolve fazer uma matéria sobre os fãs mais fervorosos de Star Wars, a fila cresce — não é spoiler. Preocupada com a filha, a mãe de Elena a vigia constantemente dando voltas e mais voltas, diariamente, no quarteirão onde a menina encontra-se acampada. “Desista“, diz a mãe em um determinado momento, “eu lhe compro ingressos“.

Páginas internas do livro ‘Universos Afins’ | Foto/Reprodução: Editora Novo Século

A graça de ser fã está em justamente acampar dias ou horas na tal fila. E fazer amizade, que é o mais importante. E quando a amizade é boa, permanece ao longo dos anos. Ter outras pessoas, completamente desconhecidas e que em minutos, tornam-se as mais legais da vida, compartilhando o mesmo amor que você tem numa fila quilométrica — não no caso de Elena —, é algo que somente fã e somente quem já ficou numa fila, sabe dizer.

Até os perrengues que a personagem passa, o leitor se identifica conforme o decorrer da leitura: a ausência de banho, o pior local e a pior maneira para dormir, frio, calor, fome, tédio, são as sensações que o fã passa quando resolve acampar dias (ou semanas, meses) antes do fatídico evento. É justamente isso que Rowell resgata, com extrema nostalgia, obviamente, dos momentos em que ser fã, valia a pena — nota-se que houve um “quê” de saudosismo por parte da autora em relembrar, mesmo no tempo atual na pele da jovem Elena, o quão legal é conhecer desconhecidos numa fila.

São 96 páginas onde o leitor se identifica com a saga de Elena, Gabe e Troy — e descobre que filas servem para aproximar pessoas que já convivem há anos, mas não se relacionam devido a inúmeras circunstâncias da vida. Descobre também, que nos casos de cinema, é preferível ornar-se com camisetas e elementos figurativos para acompanhar a estreia (ou a pré-estreia) do filme, sem necessariamente acampar na porta do cinema por dias.

A autora Rainbow Rowell | Foto/Reprodução: Internet

Uma leitura rápida, divertida, breve e cheia de representatividade para os fãs de algo ou alguma coisa. Universos Afins é daqueles livros, que com certeza, dá vontade de guardar num potinho. É um presente para quem é fã de Star Wars ou de qualquer outra saga cinematográfica. Ou literária. Fala sobre amizade, sobre a descoberta de novas possibilidades. Fala sobre ser amigo de quem já convive contigo sem que você perceba.

Fala sobre amor — sobre amar alguém ou alguma coisa. Fala sobre novos amores. O final vai te surpreender — e te fazer pedir a autora que tal como em Fangirl, continue de onde parou (vide Carry On e Wayward Son), porque não é justo que não saibamos mais coisas sobre os pais de Elena, suas amigas, sua amizade com Troy e sua (possível) amizade com Gabe.

Resumo
Nota do Thunder Wave

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