O quarto episódio da série She-Hulk: Defensora de Heróis não agradou muito levando em consideração os últimos episódios. Vemos que a trama tem potencial, mas parece querer errar de propósito. Em Is This Not Real Magic? em termos de estrutura narrativa é o mais fluido e eficiente dentre os já liberados até agora, isso porque consegue manter amarrado, de forma coerente, as tramas paralelas que acontecem dentro do episódio. Não há um corte grotesco ou uma cena tão desconexa. Aqui, as sequências de ação com a She-Hulk lutando com as pequenas criaturas demoníacas libertadas por Blaze para ajudar Wong são bem feitas e até a cena final soube introduzir um novo acontecimento sem parecer uma cena pós-crédito como no episódio 03. Apesar desse avanço, será que a série é mesmo sobre She-Hulk?

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Bom, já acostumamos com a ideia de que essa série é moldada como uma sitcom e já estamos conformados que cada episódio abordará um assunto, certo? Certo. O caso de hoje envolve um mágico que estudou no Kamar Taj mas agora usa o anel de teleporte para truques de mágica nos seus shows que não agradam ninguém e aí, consequentemente, algumas pessoas acabam sendo mandadas para dimensões misteriosas e isso é um perigo. O objetivo deste capítulo é mostrar as consequências pelo uso indevido dos superpoderes. Até aqui, tudo bem.

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Donny Blaze é o responsável por trazer demônios para a série no quarto episódio / Reprodução Marvel/ Disney Plus

Embora o Wong (Benedict Wong) seja garantia de um bom episódio, a série deveria focar mais na nossa protagonista. Para resolver esse problema, Wong não precisaria chamar uma advogada. No entanto, a presença de Jen é fundamental, pois a série é sobre uma advogada resolvendo casos judiciais relacionados a superpoderes, mas o episódio em si… tira o protagonismo dela e dá de bandeja para os outros personagens.

Além da trama envolvendo o Wong e o mágico abestalhado e atrapalhado que se enfrentam no tribunal, temos a trama abordando a vida amorosa de Jennifer Walters. E o grande problema começa aqui. No episódio anterior, Jen, a civil, a humana, aparentemente já tinha se acostumado a ideia de que agora ela tinha superpoderes e um alter-ego enormemente verde. No entanto, o episódio faz questão de enfatizar que ela quer ser ela mesma, a Jennifer Walters. Mas coloca ela como se fosse uma chata de 30 anos que só pensa em trabalho. Porque uma série com uma equipe liderada por mulheres vai desenvolver o mesmo arquétipo que estamos cansados de ver? 

Entendemos que Jen quer sair com caras como uma humana, mas ela parecia ter aceitado suas reais condições no episódio anterior. Além desse conflito desnecessário, temos ela usando um app de relacionamento, onde ela se vê considerada um 6 pelo seu último date com um humano e após refazer o seu perfil com a cara da She-Hulk (nota-se que, o objetivo dela é se desvincular da verdona, mas ela recorre ao seu alter-ego para dar uma movimentada na sua vida amorosa. Irônico, não?), ela passa a ter muitos matches em questão de segundos. Contudo, cada date é pior do que o outro. Jen se depara com homens que, quando não querem competir para ver quem é mais forte do encontro, querem testá-la como uma cobaia de laboratório. Finalmente ela encontra um cara legal, um pediatra oncologista que a ouve, Wong surge com o seu problema, aquele do mágico Donny Blaze (Rhys Coiro), que está usando magia de forma irresponsável mandando as pessoas para diferentes dimensões. Ok, problema resolvido. Contudo, temos a introdução de uma personagem que escancara algo incomum. 

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A personagem Madisynn é o destaque do episódio / Reprodução Marvel/ Disney Plus

A participação de Madisynn (Patty Guggenheim) rende boas piadas e a sua química com Wong é sensacional. E o mais legal foi ter visto como a relação de amizade entre eles se desenvolveu de uma forma bem natural. E a revelação se faz aqui: será que a Mulher-Hulk está sobrando em a Mulher-Hulk? Compreendemos que a personagem está no seu processo de identificação e aceitação com o seu alter-ego verde, mas a personagem deste episódio, não é a mesma que vimos no primeiro.

A atriz Tatiana Maslany está super bem na pele da protagonista, porém, as piadas legais que ela deveria fazer, os demais personagens que estão fazendo. Por exemplo, ela parecia mais legal e engraçada no episódio 1, quando Bruce Banner era o personagem sério — agora, todos os outros à volta dela fazem piadas, enquanto ela adota a postura de pessoa séria que só quer fazer seu trabalho. Os personagens Blonsky, Wong, sua amiga e assistente Nikki, e agora Madisynn, todos esses são que fazem piadas em vez da própria Jen. No episódio anterior, ela disse para lembrarmos sobre quem essa série é. Mas será que ela se lembra? Para provar o que digo, a cena do episódio passado, do julgamento do advogado babaca, é tão boa porque é a própria Jen que faz a piada.

Outro ponto desconfortável é que a quebra da quarta parede quase não foi usada e nos momentos em que vimos esse artificio foi para coisas pequenas. Para o fã da HQ, a referência à fase de John Byrne deveria ser mais eficiente, pois a essência dos quadrinhos que vemos o saltar de um quadro para o outro, aquela conversa com o leitor, aquilo era a série, e não só uma coisinha que acontece de vez e nunca. Nesse ponto, está realmente pecando a utilização da quarta parede.

Concluindo, o episódio não é ruim. Temos boas risadas garantidas com Madisynn e Wong, mas o show deveria ser dela, da She-Hulk. Estamos nos aproximando da reta final e o mais interessante seria ter uma série que conseguisse manter a qualidade narrativa e textual para entregar a heroína que queremos ver.

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