Depois de tanta espera-praticamente desde o final das séries Star Trek: The Next Generation, Voyager, Enterprise, ou seja, as “clássicas”-, os fãs do universo utópico criado por Gene Roddenberry estão no aguardo de algo que os faça sentir na alma uma verdadeira história de Star Trek e não apenas um passeio em um parque de diversões cheio de luzes.

Star Trek: Picard fez as honras de resgatar a alma destes fãs. Faz muito tempo que uma série de ficção, de modo geral, não traz algo inteligente em seu roteiro, com críticas sociais, um personagem com problemas emocionais e um universo conturbado sem precisar apelar para gritos, batalhas e muito sangue.

Picard é simples e direta como série. Mostra um Jean Luc mais velho e cansado, até mesmo amargurado e não lembra nem um pouco aquele capitão cheio de vida, sagaz, com voz retumbante conhecido pelos fãs. E mesmo que o espectador seja novo nesta aventura, não irá se perder, pois este primeiro episódio é auto explicativo e apresenta sem problemas os acontecimentos que levaram ao momento atual.

Esse é outro ponto positivo para a série, pois ela consegue explicar seu personagem central, vivido pelo ótimo ator Patrick Stewart, mais o universo em que está situado, sem precisar ser expositivo ao máximo. A trama apresenta o que é Star Trek sem a necessidade de reforçar a mesma informação inúmeras vezes.

O seriado está no contexto, para aqueles que acompanham há anos, do universo tradicional e incorpora, sem ser incorporado, aquele mundo criado nos filmes de J.J. Abrams. E novamente, não é preciso ter assistido aos longas do diretor para entender isso tudo. A série faz muito bem este trabalho. Ponto alto de um trabalho bem feito de uma boa equipe de roteiristas.

Esse piloto, primeiro da temporada que a Amazon Prime Video irá soltar semanalmente, um dia após a transmissão americana, mostra um novo mundo com pessoas que gostam de atacar e colocar suas opiniões em assuntos que jamais viveram e preferem desconhecer- e ainda assim possuem “um ponto de vista formado” que prevalece em cima daqueles que o vivenciaram-, até mesmo de Jean Luc, que sempre foi integro em sua vida. Este é um mundo diferente e mais ‘humano’ com seus preconceitos, chegando a lembrar em partes Star Trek VI: A Fronteira Final, quando parte da Federação prefere deixar que os Klingons morram ao tentar salvá-los. Aqui este debate retorna, agora na questão dos Romulanos.

Star Trek: Picard traz uma discussão interessante sobre os imigrantes forçados a fugirem de suas nações em guerra ou famílias que foram destruídas por causa delas. As pessoas que vivem ali não são culpadas por terem líderes ditadores. Mesmo assim, o ser humano tem a tendência a generalizar em 100% uma “raça” pelos crimes de loucos. Este tapa na cara, é dado até mesmo para os fãs de ficção e que ambicionam um mundo parecido com o criado por Gene Roddenberry. Pois até mesmo estes, acabam caindo em armadilhas xenofóbicas, como as que são mostradas no primeiro episódio de Picard.

Por estes motivos e outros além que não foram colocados aqui, Star Trek: Picard não resgata apenas o espírito trekker, mas também de todos aqueles amantes de uma verdadeira história de ficção.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por Favor insira seu nome aqui