quinta-feira, 24, setembro, 2020
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Crítica | Star Wars- Os Últimos Jedi

Quando O Despertar da Força estreou, a expectativa em torno do filme ajudou a mascarar um pouco o que ele era de fato: um remake descarado de A Nova Esperança. Em que pese os motivos para tal escolha, é um fato que o filme agradou ao grande público, mas não sem deixar um gostinho amargo – principalmente nos fãs mais críticos – de “queremos mais do que o que já vimos”.

Bom, se eram reviravoltas inesperadas que o fã da franquia esperava, fique tranquilo: Star Wars – Os Últimos Jedi é um prato cheio de surpresas. De fato, o rompimento com o padrão elíptico da narrativa da franquia nos faz pensar se realmente existe mais alguma coisa a se revelar depois desse filme. A maior prova disso, é que é muito difícil escrever sobre ele sem dar um caminhão de spoilers.

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Star Wars – Os Últimos Jedi | Imagem: Lucas Films

Não que o filme seja um primor técnico; muito pelo contrário. Rian Johnson faz um trabalho burocrático, emulando o estilo determinado por J. J. Abrams – que por si só, também não era surpreendente. Visualmente, o filme é belíssimo. Todos os cenários, em planetas de ambientes diversos e interiores de naves, são ricamente detalhados e valorizados por uma fotografia que intensifica os momentos dramáticos, quando necessário, e agiliza as intensas cenas de ação; que, vale mencionar, permeiam o filme quase do início ao fim.

Para tirar o elefante da sala, é preciso deixar um pouco a emoção e a memória afetiva que Star Wars ainda nos provoca, e apontar o fato de que, também seguindo a melhor tradição da franquia, qualquer espectador minimamente menos deslumbrado pelos efeitos especiais e personagens carismáticos vai notar que, mais uma vez, um filme de Star Wars patina em uma quantidade de conveniências que beira o inacreditável.

O personagem de Benicio Del Toro, por exemplo, é extremamente interessante em si – mas a cena na qual ele é introduzido é particularmente difícil de se aceitar. É o tipo do personagem no lugar certo, na hora certa, com as habilidades certas e motivações certas que encontra outros personagens certos no momento mais conveniente. Uma preguiça de roteiro que poderia ser facilmente contornada, não fosse essa necessidade quase compulsiva que o modelo-padrão de blockbuster da Disney impõe aos seus artistas.

Fora isso, algumas dessas inúmeras surpresas do filme são estritamente cosméticas, emulando inclusive alguns incômodos que já existiam desde a primeira trilogia original, como a dificuldade de se trabalhar decentemente heróis e vilões coadjuvantes. Preste atenção na analogia que existe entre Palpatine na trilogia original com Snoke nesta mais recente – dois vilões incrivelmente poderosos, mas que são estritamente uma sombra conceitual, pois não recebem desenvolvimento.

A própria tentativa da Primeira Ordem de destruir a Resistência acontece de uma maneira tão exageradamente cadenciada e condescendente que é difícil para alguém não imaginar que eles até queriam que os rebeldes sobrevivessem, dada a quantidade de decisões ruins e preguiçosas que esses vilões tomam na tentativa de destruir a maior ameaça a sua hegemonia. Fazendo uma analogia simples, é como aqueles velhos vilões de quadrinhos e seus intermináveis discursos que sempre acabam encerrados com a fuga dos heróis da armadilha.

De toda forma, tirando esses aspectos problemáticos que sempre pipocam em Star Wars – afinal, estamos falando de algo que nunca foi exatamente um primor de execução mesmo – o filme é, sim, intensamente divertido e dramático.

O que mais surpreende no filme, de fato, é o quão confortável Mark Hamill está em seu Luke Skywalker. Esqueça o avatar da esperança que você conheceu no jovem Luke – este Skywalker envelhecido e ranzinza atingiu um ponto de compreensão da Força que nós nunca tínhamos visto antes. E é aqui, na figura do eterno escolhido da Força, que Os Últimos Jedi tira completamente a saga Star Wars dos seus eixos.

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Star Wars – Os Últimos Jedi | Imagem: Lucas Films

Porque, se antes havia o claro embate entre bem e mal e entre eles a busca pela redenção, em Os Últimos Jedi somos apresentados a ideia de que a busca pelo equilíbrio na Força exclui completamente a possibilidade existência dos Sith – mas também dos Jedi. Tal qual qualquer Força da natureza, a Força em si é amoral, e é essa compreensão que torna Luke extremamente resistente a ideia de treinar Rey nos caminhos da Força.

O que o força a isso é que é o motor do ensejo dos Últimos Jedi. Pois Kylo Ren, que ganha, neste filme, uma evolução absurda – elevando-o de “adolescente mimado” para “personagem com reais camadas” – torna-se o agente do caos, que faz com que esse filme vá por um caminho completamente diferente do que quem imaginava que este seria um novo Império Contra Ataca esperava.

Sua posição em relação à Força e a ordem na galáxia são mais complexas do que inicialmente se esperava de alguém que somente queria preencher os sapatos de Darth Vader, e essa motivação mais complexa acaba funcionando também como engate para Rey se desfazer de qualquer ilusão que ela pudesse ter em relação à Força, à Luke e a seu próprio destino.

Na verdade, é até tocante imaginar que esse é um filme sobre lições aprendidas e amadurecimento – o que o aproximaria, em tese, de Império Contra Ataca, mas da maneira absolutamente correta. Embora tenha sim, muita dificuldade no desenvolvimento de seus personagens coadjuvantes, o triângulo central da trama – Luke, Kylo e Rey – proporcionam ao filme uma intensidade emocional que cativa, comove e surpreende. Acredite – nada pode nos preparar para o desenvolvimento desses três em Os Últimos Jedi.

Se o espectador entrar na sala buscando apenas a diversão em uma das mais carismáticas sagas de todos os tempos, saiba que Star Wars – Os Últimos Jedi é uma verdadeira tempestade de emoções. Um raro caso em que nostalgia, fan service e toneladas de efeitos especiais de ponta se unem para criar uma história envolvente, o filme facilmente se apresenta como um dos melhores da saga, somente abaixo, talvez de Rogue One e Império Contra Ataca.

Vá ao cinema tranquilo. A Força ainda está conosco.

Nota do Thunder Wave
Star Wars – Os Últimos Jedi é uma verdadeira tempestade de emoções. Um raro caso em que nostalgia, fan service e toneladas de efeitos especiais de ponta se unem para criar uma história envolvente.
Escrito porRaphael Topo

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