The Post: A Guerra Secreta já chama a atenção pelo tema – no caso, a luta do Washington Post para se livrar da censura da Casa Branca – e tem três nomes que chamam muito a atenção: Steven Spielberg, Tom Hanks e Meryl Streep. Com esse combo é difícil sair algo ruim e realmente eles trouxeram um filme muito interessante e atual.

O longa se passa nos anos 70, quando o editor do jornal Washington Post, Ben Bradlee (Tom Hanks), decide fazer uma grande matéria sobre arquivos secretos do governo que foram vazados. Esses documentos mostravam como estava à situação do exército americano durante a Guerra do Vietnã e que foi na verdade uma grande estratégia política, isso desde o governo de Lyndon Johnson. Bradlee decide ir atrás da matéria, enquanto a dona do jornal Kay Graham (Meryl Streep) está na duvida se publica por conta do medo de represálias do presidente Nixon no momento em que o jornal está em uma situação financeira muito delicada.

The Post: A Guerra Secreta | Imagem: Universal Pictures

A história é poderosa por si só, mas a primeira coisa que se deve ser dita sobre The Post é que não se trata de um filme sobre o processo da investigação jornalística como Spotlight e Todos os Homens do Presidente. É sobre os bastidores do jornal, a corrida pela primeira página e por quem chega em primeiro lugar na publicação da matéria. Nesse ponto o longa se mostra ligeiro pela inteligência dos diálogos saídos do roteiro de Liz Hannah e Josh Singer que consegue balancear tensão com alguns  alívios cômicos pontuais. E ele é bem claro quanto as informações dadas, sendo expositivo quando realmente precisa. O único e principal problema do roteiro é todo o arco da Kay que se mostra monotônico por sempre mostrar os dilemas enfrentados pela personagem: é uma mulher que ganhou o jornal como herança; os documentos ligados a matéria envolve amigos dela; e a situação financeira do jornal. São temas que poderiam ser bem explorados, mas são ditos de maneira repetitiva e não se aprofunda muito, só repetem a mesma coisa que foi dita há cinco minutos atrás.

Bom, como é um filme de Steven Spielberg, é claro que a produção se mostra muito caprichada. O design de produção não só se mostra muito eficiente na recriação da época, como consegue deixar os espaços das reuniões como se fossem sufocantes, mostrando toda a pressão dos envolvidos. Isso se mostra também muito forte por conta da fotografia de Janusz Kamínski, que uso muito bem as sombras e lentes grande angulares para aumentar o suspense. Pena que alguns dos vícios que Kamínski continuam aqui: as luzes estouradas; protagonistas em perfil no contra-luz; imagem granulada, etc… Pra quem viu os últimos filmes de Spielberg, isso acabou se tornando uma espécie de assinatura visual, mas em alguns momentos se tornam irritantes pela falta de sutileza ou de propósito narrativo.

Se Kamínski foi falado, os outros parceiros de Spielberg voltam pra essa empreitada: a montagem de Michael Kahn – junto com Sarah Brosnar – conseguem dar um ritmo dinâmico e gostoso ao longa, que faz com que nos envolvemos e entendemos a quantidade de informações dadas, além de terem alguns cortes muito bem pensados. A trilha do mestre John Williams também se mostra muito boa, por conseguir falar bem sobre o que acontece em tela. Funciona como musica e tem uma função narrativa forte – principalmente, quando mostra os jornais sendo impressos -, mas em uma determinada cena com Meryl Streep ela se mostra mal colocada e forçada, tentando obrigar o espectador a chorar. Mas nada que atrapalhe mais um ótimo trabalho do mestre Williams.

The Post: A Guerra Secreta | Imagem: Universal Pictures

Já a direção de Steven Spielberg se mostra muito eficiente, mostrando porque é um diretor que fez por merecer o seu destaque. Poucos diretores sabem movimentar uma câmera e fazer uma mise-en-scene tão bem quanto Spielberg e em The Post não é diferente. O diretor consegue com a sua câmera criar ótimos momentos de tensão, com pouco. Como já dito com um pequeno movimento o espectador fica tenso. Mostra o como Spielberg realmente entende a linguagem cinematográfica. Em alguns momentos se vê alguns vícios de outros filmes, mas em geral o longa se mostra com uma direção bem consistente.

Mas e o elenco, liderados por dois pilares do cinema norte-americano? Importante notar na primeira cena em que Tom Hanks e Meryl Streep contracenam é um plano longo em que a composição feita no quadro é para mostrar de maneira clara o quanto o diretor está dizendo para o público: ”Sim, estou com Meryl Streep e Tom Hanks como os protagonistas. Isso é real!”. Dito isso, todo o elenco do filme se mostra excelente em seus papéis, já que Spielberg também escolheu um elenco coadjuvante de respeito. Nomes fortes como Sarah Paulson, Carie Coon, Bob Odenkirk, Michael Stuhlbag, Bruce Greenwood, Tracy Lets… Ou seja, é um elenco que funciona muito bem, por terem atores tão que mesmo com pouco tempo de tela, se mostram com presenças fortes e funcionam muito bem em seus respectivos papéis.

Mas e Meryl Streep e Tom Hanks? Dois dos melhores atores americanos da ultima década? Como foi o primeiro encontro entre eles? Como já foi dito, ambos tem uma ótima química, mas separados fazem trabalhos apenas competentes. Apesar de Meryl Streep ter uma cena excepcional que mostra suas qualidades inquestionáveis, mas em geral fica presa uma personagem que fica sempre na mesma nota e nunca é desenvolvida com cuidado. Já Tom Hanks se mostra mais instável. Apesar de sempre mostrar o seu carisma, Hanks se mostra exagerado em algumas cenas e usa um sotaque forçado que se torna irritante. Mas ainda são bons trabalhos.

Enfim, The Post: A Guerra Secreta é mais uma prova do talento – já comprovado – de Steven Spielberg. É divertido, urgente, atual e ágil. Além das qualidades técnicas e o ótimo trabalho do elenco.

Veja a ficha técnica e elenco completo de The Post: A Guerra Secreta

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