sábado, 16, outubro, 2021

Thunder FIC´s | Cadê o crédito do roteirista?

Creditar aquele que faz é mais do que uma obrigação, é um respeito por aqueles que criam.

O mercado de jogos é um, se não o, mais rentável da indústria de entretenimento. Ano após ano, vários títulos lançados geram receitas milhionárias para as empresas. Entre essas, estão Square Enix, EA, Microsoft, entre tantas outras, assim como nomes como Hideo Kojima, Ed Boon, Katsuhiro Harada e… sim, e? Quem são os outros nomes que trabalham em jogos famosos das franquias mais amadas e até mesmo odiadas pelos jogadores?

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Quando olhamos para o cinema, quadrinhos e livros, é fácil olhar os créditos. Nas HQs vemos o nome do roteirista, ilustrador, cores e assim por diante. Nos livros você terá o nome do autor, editor e até mesmo tradutor! Já nos cinemas é uma lista imensa onde entra até o pessoal da limpeza. Não são apenas o diretor e atores, que são mais lembrados do que alguns nomes importantes como o roteiro, som, programação etc.

Só que quando olhamos para os jogos, onde estão esses nomes? Antigamente era ainda pior. Pegue os primeiros jogos do Street Fighter e verá brincadeira com o nome das pessoas. Na realidade, nenhuma delas foi creditada! Quem começou a brigar para que os nomes aparecessem foi Katsuhiro Harada de Tekken. Mas por que ter o seu nome creditado é tão importante? Apenas por ego?

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De forma alguma! O nome creditado, seja onde for, é de suma importância, pois é algo que foi criado ou o profissional fez parte de todo o processo. Imagine que você faz parte da criação de um jogo como Mortal Kombat, onde acabou sendo responsável pelo nascimento de um importante personagem para a franquia. Ele é idolatrado por fãs, mas ninguém fala o seu nome, apenas do Ed Boon. E como seu nome não foi creditado, não adianta no futuro falar que fez algo, se não tem como provar.

São vários os nomes que deveriam aparecer ali no final, mas se você prestar atenção em vez de clicar em qualquer botão para cancelar, veria o quanto a indústria de jogos é injusta com seus profissionais. E lembre-se que estamos falando de uma indústria imensa com milhares de trabalhadores que passam horas e mais horas, varando a madrugadas para que um jogo fique pronto. E muitas vezes, longe de sua família, de amigos, preso em um escritório ou em home office devido ao COVID.

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Lógico que existem empresas, principalmente nacionais, que pensam em seus profissionais. Se entrar no site do jogo Tetragon da Cafundó Estúdio, verá o nome da equipe no próprio site. Mas mesmo assim, não são todas as empresas que possuem esse respeito por seus profissionais. Um caso recente, publicado pelo site Kotaku, é de Deathloop.

Segundo o site em sua publicação a respeito da indústria de jogos, “As pessoas dos videogames são estranhamente uma merda sobre quem chega aos créditos e quem não”. Ele continua dizendo que vários desenvolvedores que trabalharam no jogo revelaram que não estão nos créditos ou foram agrupados em uma categoria de “agradecimento especial” sem menção feita de seu papel específico na criação do Deathloop.

O que acontece, infelizmente, é que a política dos estúdios é de apenas dar os créditos para os desenvolvedores, e isso quando eles são seus funcionários. Caso não sejam mais, nem isso acontecerá. Não importa que tenha saído quando o título estava para ser salvo e participou 99% da criação. Saiu, está fora dos créditos. Uma das reclamações saiu da boca de ex-funcionários que trabalharam em Red Dead Redemption 2 que não levaram nem um obrigado, por não estarem mais no estúdio.

Segundo o Kotaku que falou com a Rockstar, ela “usa os créditos do jogo dessa forma porque quer que os funcionários se esforcem e ‘cheguem à linha de chegada’, essencialmente punindo aqueles que abandonam a cultura de crise do estúdio.”

Isso é um absurdo, pois acaba por construir uma indústria tóxica. Muitos jogos acabam sendo criados não por motivos de criatividade, mas sim por números gerados por um computador que diz que tal título e gênero é o mais jogado atualmente, por isso é este que precisa ser feito. Assim, acontece também com disputas internas como aconteceu com Kojima e a Konami.

Este é um mercado que ainda é novo e que ganha milhões anualmente, mas precisa melhorar em praticamente tudo, principalmente a forma como trata os seus funcionários. Dar o crédito para aqueles que trabalham, vai além de uma identidade com a empresa, é respeito. E se a empresa quer ser respeitada, também deve fazer o mesmo com sua equipe. É fácil falar que quer funcionários esforçados. O complicado é responder: por que eles saíram?

E quer saber mais a respeito do mercado de roteiros? Temos várias matérias relacionadas no Thunder FIC´s. Fique de olho, principalmente no artigo que fizemos a respeito de como funcionam as aulas de roteiro realizadas pela Fábrica de Ideias Cinemáticas – FIC´s, dos roteiristas Newton Cannito e Marcos Takeda.

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