segunda-feira, 30, novembro, 2020
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Todxs Nós | Produção da HBO é um ótimo retrato da diversidade LGBTQ+

Série aborda a diversidade LGBTQ+ e trata também de temas como racismo e assédio

A nova produção nacional da HBO, Todxs Nós tem estreia marcada para o dia 22 de março às 23 horas na HBO GO. A primeira temporada tem oito episódios de aproximadamente 30 minutos cada. A produção brasileira é criada por Vera Egito, Heitor Dhalia e Daniel Ribeiro e focará em temáticas LGBTQ+, além de lidar sobre questões de racismo e assédio. Todxs Nós contará com os personagens Rafa, interpretada por Clara Gallo; Vini, interpretado por Kelner Macêdo; Maia, vivida por Juliana Gerais; e Inês, a mãe de Vini, interpretada por Gilda Nomacce.

De forma cômica e muita desprendida, a série começa com Rafa fugindo de casa, onde morava com o pai, Ulisses, com a madrasta e a meia-irmã. Ela se muda para São Paulo direto para a casa de seu primo, Vini que é gay assumido e mora com Maia, sua amiga feminista. Sem dúvidas, é uma produção promissora que fisga o telespectador pela falta de noção, mas também pela coragem da protagonista Rafa que é uma jovem não binária e pansexual que está se redescobrindo como pessoa. No começo ninguém entende nada, mas no desenrolar da trama, os conflitos vão se tornando claros.

A série mostra como esse universo é rico de informações e diversidade. Infelizmente, ainda é um assunto permeado de preconceito, não apenas por quem vê de fora, mas por quem está dentro. Atualmente, somos cercados por rótulos. Somos moldados a partir de conceitos pré existentes e que acabam definindo como devemos agir, de que modo nos vestir, como falar e enfim… Isso não define o que realmente somos. Muito tem se falado de representatividade no meio LGBTQ+. Muitas tem sido as pautas da imprensa que abordam esse tema sensível. A série mostra que é necessário que tenhamos um olhar, uma visão aberta a cerca do diferente. Aceitar e respeitar é uma prova de empatia. Cenas em que mostram como o preconceito e a cultura do machismo esta impregnada na nossa sociedade são muito marcantes e que são temas importantes e relevantes de serem tratados na produção original da HBO.

Quantas vezes vemos uma negra que é programadora e tem uma vida confortável? Normalmente, nas tramas vemos os negros terem papéis em que seus personagens vivem de forma precária ou tem uma vida muito sofrida, muitas vezes são retratados com os fracassados e na realidade não é assim. A Maia é uma mulher forte e determinada e que no decorrer da série irá mostrar como é ser negra na sociedade brasileira. Como cada dia é uma luta diferente que molda a experiência de vida de sua personagem.

Um gay que não quer ser ator, mas é forçado a ser…Vini, em especial, é um personagem feito sob medida. É carismático e autentico. Passa uma verdade que pertence a ele. De certo modo, ele ainda esta preso na sua caixinha, a caixinha que a sociedade reservou para ele. É difícil ser gay e mais ainda quando se tem alguns preconceitos escondidos no seu interior. E ao longo da série ele vai percebendo e depois da chegada de Rafa, ele começa a se descobrir também. Se no começo, ele achou essa mudança toda inusitada, com o passar do tempo será algo que trará mudanças e um novo olhar para o seu “eu”.

Rafa é sem noção. Ela se joga muito, mas esquece que em uma dessas jogadas ela pode quebrar a cara e se decepcionar. Mas, ainda assim, é cativante. A personagem quer abraçar o seu mundo e ser vista como ela realmente é. É muito difícil e complicado fazer com que os pais entendam isso. Um pai ou uma mãe nem sempre aceitam o filho como ele é. Na série vemos um pai que está preso a uma concepção de mundo, na qual, ele foi ensinado e se depara com uma filha que pensa muito além. A mesma coisa acontece com a mãe de Vini. Para ela, ter um filho gay e mostrar para todos que ela é pra “frentx” como diz seu filho, Vini. E é muito interessante que a direção e os roteiristas tenham abordado e feito dessa a forma, a construção da obra.

Nesse primeiro episódio, é muito interessante ver que a produção se preocupou com a interação do elenco, com a coesão da história e com o tom que tem a narrativa. Embora seja um tema serio e que precisa ser debatido na sociedade, vemos que a série aborda de forma descontraída, mas mantém a seriedade em certos momentos que é característico da vida real. A linguagem é bem coloquial e com alguns palavrões que diverte quem assiste. A trilha sonora é um “up” a parte. Alegre e que se encaixa na narrativa, nos move de forma esplêndida dentro da trama. É muito bom ver que as empresas e produtoras estão apoiando e querendo mostrar para todos que é possível sim, ser diferente. A série traz informação. Caso você não saiba o que é um ser “não binário” ou “pansexual”, é explicado. É importante abordar temas como esse e assim contribuir para desmistificar o preconceito que agride, que machuca, que mata a minoria que não é minoria. São muitos.

Podemos esperar dessa nova produção um ar jovial e sedento por ser quem realmente quer ser. Sem rótulos. Sem preconceito. Todx Nós é uma banana para quem prefere estar na escuridão da ignorância. Não é apenas representar uma parcela oprimida e sim mostrar que podemos ser felizes da forma que queremos ser. E como diz a trilha-tema da abertura da série, “não sou obrigada a nada!”. 

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