quinta-feira, 1, outubro, 2020
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Crítica: Velozes e Furiosos 8

Luzes, câmera e muita, muita ação.

Apesar de uma das franquias mais rentáveis dos últimos tempos já não ter muito de novo a nos dizer, é inegável o carinho que os fãs carregam quando estão assistindo a mais um longa de Velozes e Furiosos. Entre altos a baixos, os sete – agora oito – filmes lançados desde 2001 até hoje sempre conseguiram entregar o que prometeram: ação, explosões, carros supervelozes e atuações mais que carismáticas de seu elenco principal.

Logo, é de se esperar que esta oitava iteração dê ao público aquilo que ele deseja – e é exatamente isso o que acontece. A história gira em torno de Dominic “Dom” Toretto (Vin Diesel) em um dos arcos mais contraditórios de sua própria personalidade até então: a traição de sua família. Afinal, enquanto comemora sua lua de mel com a esposa Letty Ortiz (Michelle Rodrigez), Dom é abordado por uma aparentemente inocente mulher, a qual descobrimos ser em poucos segundos Cipher (Charlize Theron), a hacker mais poderosa do mundo e que deseja recrutar os serviços de “artilharia pesada” do protagonista. Seria muito óbvio que ele simplesmente saísse andando, e a história teria um fim logo depois de uma sequência de tirar o fôlego envolvendo uma disputa de carros em chama (sim, é isso mesmo). Para tanto, o roteirista Chris Morgan opta pela saída mais fácil e mais cabível dentro de uma trama à qual já estamos acostumados: a chantagem.

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Velozes e Furiosos 8 elenco.
Imagem: Divulgação

Parece meio clichê que uma antagonista com o porte cínico, sarcástico e extremamente sedutor encarnado por Theron se utilize de tais artifícios para conseguir o que quer, recaindo no estereótipo vilanescos de tantos filmes do gênero. Entretanto, a própria construção narrativa consegue fornecer um envolvimento maior ao não mostrar diretamente o motivo de Dom ter cedido à chantagem, nos fazendo imaginar os segredos não revelados sobre seu passado e sua história criminosa.

Um dos pontos baixos do filme reside com certeza absoluta em suas viradas. Tudo acontece de modo muito rápido e sem muito aprofundamento, talvez para dar margem às sequências seguintes dentro de uma trama relativamente complexa e com duração de pouco mais de 130 minutos. Isso é compreensível? Sem dúvida alguma. Mas as sucessões desconexas, criadas principalmente pela montagem frenética e pela direção exagerada de F. Gary Gray, deixam algumas lacunas a serem preenchidas – principalmente no momento em que Dom atinge o carro de seu aliado Luke Hobbs (Dwayne Johnson) e rouba uma das armas mais perigosas já criadas.

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Velozes e Furiosos 8 Charlize Theron e Vin Diesel.
Imagem: Divulgação

Apesar dos deslizes, Velozes e Furiosos 8 é um filme competente e dosado com bastante minúcia entre drama e comédia. Enquanto Diesel e Theron criam as cenas mais tensas e com alguns diálogos interessantes de serem analisados sobre escolha e livre-arbítrio, Johnson e Jason Statham (reprisando seu papel como Deckard Shaw) roubam os holofotes em sequências cômicas e quase comoventes. A química entre os dois baseia-se em ameaças de morte e feitos impossíveis, tudo convergindo para uma aliança inesperada para salvar tanto sua família quanto o mundo de uma possível III Guerra Mundial.

A narrativa é redonda e tem seus ápices e quedas, assim como qualquer boa trama de ação que envolva a salvação do mundo e a redenção de personagens que se rebelam. A impossibilidade e a inverossimilhança de algumas cenas – vide o momento em que The Rock desvia um míssil bélico apenas com as mãos – é totalmente ignorada pelos incríveis efeitos especiais que perscrutam o longa. A própria combinação entre cores quentes e frias no cenário caótico e gélido do Ártico consegue inclusive mexer com as sensações do público – ainda que não chegue aos pés da visualidade metafórica de outras obras do gênero, como Mad Max: Estrada da Fúria.

Buscar um sentido mais amplo para a franquia Velozes e Furiosos é como encontrar uma agulha no palheiro. É notável a utilização de temas-base como confiança, traição e relacionamentos, mas não espere muito mais que algumas reviravoltas e conclusões previsíveis. A própria finalização do arco de Cipher se prender muito ao desfecho melancólico que vilões recebem em filmes de ação – apesar de indicar claramente a continuação da franquia com mais ameaças em potencial.

Em suma, o oitavo filme da franquia Velozes e Furiosos não deseja ser uma “produção em buscar da estatueta dourada”, mas sim uma construção essencialmente visual e que tem como objetivo divertir um público já acostumado a este gênero. Sua ausência de pretensão é o que o torna agradável aos olhos – e provavelmente o que garante a fidelidade dos espectadores para as iterações que virão.

Nota do Thunder Wave
Apesar dos deslizes, Velozes e Furiosos 8 e um filme competente que consegue dosar o drama, humor e ação.

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