domingo, 24, outubro, 2021

Crítica: Velozes e Furiosos 8

Luzes, câmera e muita, muita ação.

Apesar de uma das franquias mais rentáveis dos últimos tempos já não ter muito de novo a nos dizer, é inegável o carinho que os fãs carregam quando estão assistindo a mais um longa de Velozes e Furiosos. Entre altos a baixos, os sete – agora oito – filmes lançados desde 2001 até hoje sempre conseguiram entregar o que prometeram: ação, explosões, carros supervelozes e atuações mais que carismáticas de seu elenco principal.

Logo, é de se esperar que esta oitava iteração dê ao público aquilo que ele deseja – e é exatamente isso o que acontece. A história gira em torno de Dominic “Dom” Toretto (Vin Diesel) em um dos arcos mais contraditórios de sua própria personalidade até então: a traição de sua família. Afinal, enquanto comemora sua lua de mel com a esposa Letty Ortiz (Michelle Rodrigez), Dom é abordado por uma aparentemente inocente mulher, a qual descobrimos ser em poucos segundos Cipher (Charlize Theron), a hacker mais poderosa do mundo e que deseja recrutar os serviços de “artilharia pesada” do protagonista. Seria muito óbvio que ele simplesmente saísse andando, e a história teria um fim logo depois de uma sequência de tirar o fôlego envolvendo uma disputa de carros em chama (sim, é isso mesmo). Para tanto, o roteirista Chris Morgan opta pela saída mais fácil e mais cabível dentro de uma trama à qual já estamos acostumados: a chantagem.

Crítica: Velozes e Furiosos 8 1
Velozes e Furiosos 8 elenco.
Imagem: Divulgação

Parece meio clichê que uma antagonista com o porte cínico, sarcástico e extremamente sedutor encarnado por Theron se utilize de tais artifícios para conseguir o que quer, recaindo no estereótipo vilanescos de tantos filmes do gênero. Entretanto, a própria construção narrativa consegue fornecer um envolvimento maior ao não mostrar diretamente o motivo de Dom ter cedido à chantagem, nos fazendo imaginar os segredos não revelados sobre seu passado e sua história criminosa.

Um dos pontos baixos do filme reside com certeza absoluta em suas viradas. Tudo acontece de modo muito rápido e sem muito aprofundamento, talvez para dar margem às sequências seguintes dentro de uma trama relativamente complexa e com duração de pouco mais de 130 minutos. Isso é compreensível? Sem dúvida alguma. Mas as sucessões desconexas, criadas principalmente pela montagem frenética e pela direção exagerada de F. Gary Gray, deixam algumas lacunas a serem preenchidas – principalmente no momento em que Dom atinge o carro de seu aliado Luke Hobbs (Dwayne Johnson) e rouba uma das armas mais perigosas já criadas.

Crítica: Velozes e Furiosos 8 2
Velozes e Furiosos 8 Charlize Theron e Vin Diesel.
Imagem: Divulgação

Apesar dos deslizes, Velozes e Furiosos 8 é um filme competente e dosado com bastante minúcia entre drama e comédia. Enquanto Diesel e Theron criam as cenas mais tensas e com alguns diálogos interessantes de serem analisados sobre escolha e livre-arbítrio, Johnson e Jason Statham (reprisando seu papel como Deckard Shaw) roubam os holofotes em sequências cômicas e quase comoventes. A química entre os dois baseia-se em ameaças de morte e feitos impossíveis, tudo convergindo para uma aliança inesperada para salvar tanto sua família quanto o mundo de uma possível III Guerra Mundial.

A narrativa é redonda e tem seus ápices e quedas, assim como qualquer boa trama de ação que envolva a salvação do mundo e a redenção de personagens que se rebelam. A impossibilidade e a inverossimilhança de algumas cenas – vide o momento em que The Rock desvia um míssil bélico apenas com as mãos – é totalmente ignorada pelos incríveis efeitos especiais que perscrutam o longa. A própria combinação entre cores quentes e frias no cenário caótico e gélido do Ártico consegue inclusive mexer com as sensações do público – ainda que não chegue aos pés da visualidade metafórica de outras obras do gênero, como Mad Max: Estrada da Fúria.

Buscar um sentido mais amplo para a franquia Velozes e Furiosos é como encontrar uma agulha no palheiro. É notável a utilização de temas-base como confiança, traição e relacionamentos, mas não espere muito mais que algumas reviravoltas e conclusões previsíveis. A própria finalização do arco de Cipher se prender muito ao desfecho melancólico que vilões recebem em filmes de ação – apesar de indicar claramente a continuação da franquia com mais ameaças em potencial.

Em suma, o oitavo filme da franquia Velozes e Furiosos não deseja ser uma “produção em buscar da estatueta dourada”, mas sim uma construção essencialmente visual e que tem como objetivo divertir um público já acostumado a este gênero. Sua ausência de pretensão é o que o torna agradável aos olhos – e provavelmente o que garante a fidelidade dos espectadores para as iterações que virão.

Nota do Thunder Wave
Apesar dos deslizes, Velozes e Furiosos 8 e um filme competente que consegue dosar o drama, humor e ação.

Artigos Relacionados

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por Favor insira seu nome aqui

Instagram

Bombando

Mais vistos da semana

Siga Nossas Redes

Tem conteúdo exclusivo por lá
6,914FãsCurtir
2,958SeguidoresSeguir
4,238SeguidoresSeguir

Recentes

Conteúdo fresquinho

Thunder Fic's

Tudo sobre roteiro
pt_BRPT_BR
Thunder Wave-Filmes, Séries, Quadrinhos, Livros e Games Thunder Wave