quinta-feira, 6, agosto, 2020
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Crítica | A Barraca do Beijo 2

O longa tem bons elementos para serem desenvolvidos, porém, exagera nas subtramas e extrapola no tempo

Não é novidade que as comédias românticas baseadas em livros juvenis tem feito a cabeça da Netflix. E por incrível que pareça, os longas fazem a cabeça dos apaixonados de plantão. Porém, com A Barraca do Beijo 2 (The Kissing Booth 2), o negócio é outro. O filme com linguagem adolescente mostra um universo perfeito, onde tudo se encaixa, um lugar maravilhoso que até eu gostaria de estar lá. Mas a vida real é feita de imperfeição e esse longa se mostra tão problemático quanto o seu antecessor.

O final do filme anterior, A Barraca do Beijo, deixou claro que que Elle interpretada pela Joey King, que ela e o garotão Noah, Jacob Elordi, namorariam a distancia quando ele vai para a faculdade. A sequência começa depois destes eventos e a protagonista faz um “recapitulando” do que aconteceu desde então, mostrando que passou um “verão dos sonhos” ao lado do namorado antes de voltar para a realidade de seu último ano escolar. Parece que o filme acabou por ai. No entanto, não é bem assim.

A nova obra conta muitas subtramas e desenvolve todas elas pelas coxas. O que torna o filme cansativo, longo e sem coerência. Sem contar as semelhanças com Para Todos os Garotos que já amei: Ps.: Ainda Te Amo, inserindo um triangulo amorosos desnecessário. A trama em si, já tem uma história legal e por isso, talvez, não vejo motivo para encher de dramas mal pensados. O filme se sustenta no carisma de King e podemos perceber que é quase forçada a interpretação de Elordi, que novamente, nos entrega um playboy sem conteúdo. Por que não desenvolver o personagem dessa criatura? Ele tem potencial.

As tramas secundarias não se entrelaçam com a trama principal. E a barraca? É lembrada no final. Nessa continuação, Elle está lidando com o namoro a distancia, com o terceirão americano, no qual, é preciso fazer a escolha das faculdades que quer estudar, e nesse momento ela está entre a cruz e a espada porque ela inicialmente iria para a mesma faculdade que Lee (Joel Courtney), porém, a que seu namorado estuda é outra e ela precisa escolher. A amizade entre Elle e Lee anda a beira de uma catástrofe devido a namorada de Lee, Rachel, querer passar mais tempo com seu namorado que está o tempo todo com Elle, o trio de peruas fofoqueiras que não chegam a serem as vilãs – mas poderiam – são irrelevantes, a chegada do clone de Noah, Marco (Taylor Zakhar Perez), porém, latino chega para fazer o coração da jovem se dividir e o físico é igual ao do Noah. Céus! E o ciúmes? E o concurso de dança inspirado nesses torneios de games? Muito hilário.

Crítica | A Barraca do Beijo 2 1
Trio amoroso entre Marco, Elle e Noah/ Netflix

O problema é que são muitas subtramas desenvolvidas pela metade e não entendemos nada. Não entendemos o motivo do filme ser tão longo. E aí as coisas se embolam, Marco se torna o homem perfeito para absolutamente nada, exceto para ser descartado quando a princesa se toca que tem direito de tomar suas próprias decisões. E aliás, ele é muito mais interessante que o personagem de Elordi. E o longa tenta interligar isso a outra parte do discurso narrativo do anterior – já resolvido nele mesmo – com relação à amizade, utilizando as regras como se fosse algo óbvio para todos, mas não fazem sentido nenhum. O que é mais importante? Amizade ou namoro? Até onde um atrapalha o outro? É possível a existência dos dois? O roteiro entra nesse território novamente somente para apagar qualquer vestígio de coerência e os conflitos desnecessários reinam em contextos convenientes de paranoia ou “bom senso” para não perder as relações de amizade.

E ai não satisfeito, o enredo usa o próprio estereotipo de garota gostosa totalmente desconstruída que só assim para resistir a um cara “bonito” e ensinar a ele que ele pode sim, estar errado- mas ele não admite -, pode sim ser mais responsável com suas atitudes, fazendo ele aprender que não se trata de ser “MACHO” e sim, agir como um homem racional. Apesar disso, é a Elle, que não sabe o que quer, pois a trama trata do aprendizado e amadurecimento dela em relação a todas as bagunças que sua personagem vive, mas que admite o erro numa surpreendente ação que se justifica pelo coração fragilizado e a mente descompensada. E por fim, seria interessante focar no Lee que tem um bom desenvolvimento e fazer com que o Noah tenha a sua chance de brilhar e não se mostrar apenas mais um rostinho bonito com beleza desejável.

Se a intenção era ser um filme a la John Hughes… esquece. A falta de abordar os problemas dessa fase de forma coerente e sensata prejudicou a produção. É interessante falar sobre situações abusivas, como a que Elle e Noah vivem, falar sobre ciúmes, sobre as amizades construídas por um forte laço, sobre a homossexualidade que nesse filme foi usado como fator representativo e não porque era de fato interessante a trama. E, novamente, torcer por quem ganhará o coração da jovem? Falta química, falta sentido, falta coerência, falta uma boa produção, falta uma boa fotografia, falta uma boa trilha sonora, falta mais empenho dos atores em nos entregar boas performances e nuances de emoção.

Nota do Thunder Wave
Ninguém acerta de primeira, mas a adolescência é isso. No entanto, o trama título do filme se tornou uma subtrama mal desenvolvida e quase esquecida. Falta coerência de fatos, acontecimentos e consequências nesse filme que por ser uma sequência... deveria ser melhor.

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